by Ginnungagap

Afirmar é não negar, mas não negar não é afirmar!! O contrário também é verdadeiro.

terça-feira, 20 de outubro de 2026

Simetria, a muleta que pode derrubar o país




Em 2022, escrevi aqui no blog um texto intitulado: “A retórica malabarista (e desonesta) da polarização simétrica”. Aquele texto foi movido por dois acontecimentos. O primeiro, o assassinato em Foz do Iguaçu, de um rapaz que dava uma festa de aniversário cujo tema era “Lula”. Ele foi assassinado por um vizinho, agente penitenciário,  bolsonarista. O segundo evento, foi uma fala (muito) infeliz do presidente Lula (ele dá esses escorregões de vez em quando), em que ele agradece o apoio de um vereador que, numa altercação, empurrou uma pessoa que fazia tumulto diante do Instituto Lula, no dia em que foi decretada a prisão de Lula,  no instante em que passava um veículo. O tumultuador se feriu gravemente, mas sobreviveu.

À época, a polícia civil de Foz do Iguaçu se arvorou em dizer que o rapaz assassinado havia morrido “em conflito”. Imediatamente, a grande mídia e a extrema direita, atribuíram o acontecimento à “polarização radical” e compararam, ou melhor, equipararam, (eu vou voltar a falar sobre esse par de cognatos em outro texto) a fala infeliz de Lula (um agradecimento por um apoio dado através de um gesto errado) com os anos e anos de falas de Jair Bolsonaro (“tem que fuzilar a petralhada”, “fazer o serviço que a ditadura não fez, matando uns 30 mil, começando pelo FHC” e outras). 


Essa simetria, a ideia de “os dois lados são iguais”, surgiu muito em função (goste você ou não) da Genialidade (sim, com “G” maiúsculo) de Lula. (e note! reconhecer que ele é um gênio, não é dar aval e aceitar incondicionalmente tudo o que ele fale ou faça). Lula governou por 8 anos sem oposição, “domou” o Centrão e a direita moderada (até hoje), terminando seu segundo mandato com 87% de aprovação pessoal  e 80% de aprovação do governo. (87%!!!). Para ser contra Lula (e por conseguinte contra o PT), era preciso então ou radicalizar à direita ou subir no muro. Mas, se balançar o muro, a pessoa vai cair para a direita! E tudo bem. Direita e esquerda existem para coexistir uma tenta sobrepujar (e não exterminar) a outra. 


Felizmente, a direita moderada de verdade parece ter acordado e está se descolando do bolsonarismo. Já vi vários posts explicando que “haver discordância” é normal na política, desde que haja respeito.(Eu espero muito que seja suficiente para não deixar o bolsonarismo voltar ao poder).


Eu não quero “virar votos”, acho que quem, conscientemente votou na família Bolsonaro (que, diga-se, está toda, irmãos, esposas, ex-esposas, mães na política), não vai mudar de opinião. Eu quero “fisgar votos”, especificamente dos 33 milhões de pessoas que se abstiveram no primeiro turno (21,06% do total),  dos 2,3  milhões que votaram em  branco (1,84%) e dos 3,6 milhões que votaram nulo (2,93%).


(Um parêntese: Os neoliberais de LinkedIn vociferam: “O país está quebrado!”. Onde, em que setor? Indústria, agricultura e serviços cresceram, o desemprego está no menor patamar da história para o mês de agosto).


Pense nas pessoas que Lula já teve que enfrentar, FHC, José Serra, José Sarney, Leonel Brizola (sim, Lula enfrentou resistência até na esquerda), Mario Covas e pense em tudo o que essas pessoas representaram: privatização, concentração de renda e toda a cartilha do FMI. Mas pense que todos esses sempre “souberam jogar o jogo da democracia”, nenhum deles falou em fechar o supremo.


Tudo isso, para dizer: Compare com honestidade. Desconfie com método. A política pode ser a mesma, como diria Waldez Ludwig, “desde Adão e Eva”, o comportamento dos políticos pode ser parecido, mas político não é “tudo igual”. Uma simetria entre Lula e a direita (vamos chamar) “de verdade” até pode ser traçada, mas não é possível equiparar a direita extrema a nenhum dos lados. Até Renan Santos  que liberou seus eleitores para votarem “em quem quiserem” e, segundo essa matéria do Metrópoles, disse odiar Lula, disse que não votará em “nenhum dos dois”, vê, segundo entrevista para o UOL, um risco maior de concentração de poder com uma derrota de Lula.  


Se você realmente acredita que Lula é ladrão e corrupto, vá votar de óculos escuros, de capuz,  tape o nariz  antes de apertar o número 13, feche os olhos para não ver a foto de Lula (eu fiz isso quando votei em Eduardo Paes aqui no Rio, duas vezes!!, hehe), mas não compre esse discurso do “tanto faz”, porque “não faz”. 


Os lados não são iguais, se apoiar nessa ideia (muleta), mais cedo ou mais tarde vai lhe trazer uma grande dor na consciência.


Fique bem.


quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Precisamos falar do Vorcaro

Lógico que eu não vou perder tempo falando do sujeito propriamente dito, antes, o que precisamos falar mesmo é sobre o “Efeito Vorcaro”.  Eu já escrevi que a corrupção não é o maior (muito menos, “o”) problema do país. Também já falei que acontecimentos como esse (vamos chamar de) “O Efeito Vorcaro”, fortalecem aqueles que posam de isentões de “terceira via”, mas que no fundo são só direita ou “menos direita” (nem centro direita, essa categoria hoje, a meu ver, no Brasil, está desocupada) e tentam sustentar a ideia de uma simetria polarizada entre a direita e a esquerda.


Além disso, o Efeito Vorcaro escancara também o desespero da direita e dos isentões na busca por argumentos “anti Lula” (que para mim é muito maior do que a esquerda), associando hoje o Xandão a Lula, só porque os dois são anti BoçalMor. Quero lembrar que o Carecão foi levado ao STF pelo Vampirão no período de transição da organização para a barbárie, entre o golpeachment e a eleição de 2018, Moraes é PSDBosta na veia, não perca isso de vista!


(Antes de entrar no mérito do Efeito Vorcaro em si, é necessário abrir um daqueles meus longos parênteses e  falar de André Mendonça. Com toda a data venia, senhor ministro - e, aqui, eu fico feliz por ter poucos seguidores e não correr o risco de ser processado. Esse senhor foi levado à Suprema Corte do país pelo inominável asqueroso ex-presidente (por quem eu não tenho, com muita tristeza, o menor nível de respeito) e eu me lembro bem de uma sessão em que ele usou artigos de revistas para embasar seus argumentos… Vou repetir: Um ministro da Suprema Corte Federal utilizou artigos de revista para embasar sua opinião, numa sessão da Corte!!!! Isso, por si só, já mostra o nível de conteúdo e competência  que essa pessoa tem*. Fim do parêntese)


Pois bem. Daniel Vorcaro surgiu para o mercado brasileiro, como banqueiro, na (indi)gestão passada do Brasil. Rapidamente acumulou capital e influência e se relacionou com pessoas de todos os espectros ideológicos, esferas e poderes da Nação. Era uma época de corrupção reservada para poucos (em oposição à época de corrupção generalizada dos primeiros governos Lula, mas, leia os artigos que “linkei” e veja que eu repilo veementemente a simetria, só que, lógico, comparar não é equiparar). 


Por caminhos tortos (o que não era torto naquele “desgoverno”?) o banqueiro chegou às portas da casa da familícia e fez amizade com o zero-um, levando-o a “apoiar” (muitas mais aspas por favor) a produção do filme (na falta de uma palavra pior) do Cavalo Paraguaio e isso é a grande pedra no sapato da direita radical, que tenta retirar novamente Lula do poder. 


Só que Dani (permitam-me a intimidade, embora eu de verdade não o conheça, mas, olha, 130 Mi para eu fazer um filme me fariam até levar cigarros para ele na cadeia), não se envolveu apenas com gente da esquerda (e vale dizer que eu nunca disse que só existem santos na esquerda, a própria visão, pessoal (minha),  que eu tenho de Lula mostra isso). 


Figuras como Davi Alcolumbre (direita, legislativo), Jacques Wagner (esquerda, executivo), Alexandre de Moraes e André Mendonça (ambos direita, judiciário), tiveram relacionamento com o banqueiro mineiro e é aqui que mora o perigo e o resumo do que eu achei que precisava vir colocar para fora. 


Duas coisas são importantes: o dinheiro não tem ideologia (nem a vaidade ou a cobiça), não há santos nas esferas mais altas de poder do País. O Efeito Vorcaro apenas escancarou essas duas premissas.  Tá, mas onde eu quero chegar? Antes de terminar, preciso pontuar um fundamento da segunda premissa que citei acima, que eu carrego comigo (e acho que já dividi com você).


Quando  eu digo “não há Santos”, eu relativizo a integridade porque mesmo quem não põe a mão na lama, testemunha ou, quando está governando, no mínimo, faz vista grossa para ações “não íntegras”. (Dilma, por exemplo, contra quem até hoje não apareceu sequer uma fake news que fosse, acusando-a de corrupção, em que pese ter deposto ministros por gastos irrisórios ou simples suspeitas de desvios, eu tenho certeza de que ela autorizou, fechou os olhos, para muita coisa que sua consciência não a deixaria fazer, ela mesma). 


Tá, o texto está acabando e vou deixar claro o que chamo de “Efeito Vorcaro”: a sensação generalizada de falta de confiança nos políticos, quando uma pessoa que transita por todas as esferas e escalões do poder público causa ao cair. As manchetes exporão figuras “de todos os lados” à conveniência de quem as escreve. A direita BoçalMorista está desesperada diante dos escândalos de corrupção do “candidato herdeiro” e da proximidade dele com o ex-banqueiro e tenta fazer uso (às vezes com sucesso) de situações como essa para “limpar sua barra”. 


Por fim, peço que você leia o artigo que eu escrevi sobre a falsa simetria dos desvios da esquerda e da direita  (aqui o link de novo, para você não precisar voltar “lá em cima”) e entenda que, “político é tudo igual” é uma falácia que te vendem e geralmente te leva para a direita mais radical (mais afeita à alienação). 



Fique bem.  



* Note, dificilmente eu vou julgar a pessoa, exceto no caso do excrementíssimo ex-presidente, claro. Antes, eu vou julgar suas atitudes, suas competências, seu nível de conhecimento, nunca em nível pessoal e sempre lembrando que o julgamento é pessoal, eu acho isso, minha opinião!!