by Ginnungagap

Afirmar é não negar, mas não negar não é afirmar!! O contrário também é verdadeiro.

terça-feira, 12 de julho de 2022

A retórica malabarista (e desonesta) da polarização simétrica

A semana do domingo 10 de julho de 2022 começou com um assassinato. Um agente penitenciário seguidor do sujeito que ocupa a presidência do Brasil (recuso-me a escrever seu nome) invadiu a festa de aniversário de um guarda municipal de Foz do Iguaçu, cujo tema era o ex-presidente Lula e, após gritar impropérios, saiu, voltou armado e atirou no anfitrião. Inexplicavelmente, a polícia civil da cidade emitiu um comunicado de que os dois haviam morrido no que teria sido um confilto. Imediatamente, as televisões (a "grande" mídia) começou a noticiar a morte dos dois, como sendo consequência da polarização política que o país atravessa

(Antes de continuar, quero abrir um longo parêntese aqui. Foi o ex-juiz, ex-ministro e "ex-croto" indivíduo conhecido por Marreco de Maringá que cunhou o termo "bolsopetismo", dando origem à ideia de que o idiota que (des)governa o país e o futuro presidente Lula são "a mesma coisa". Esse termo foi apropriado pelo "bastião da terceira via", o cearense Ciro Gomes, pela inexpressiva senadora Simone Tebet e, mais recentemente pelas emissoras de televisão.)

Anyway, rapidamente, para suportar o argumento de que "os dois lados são a mesma coisa", emissoras de TV resgataram uma (ok, mais uma infeliz) fala do ex-presidente em que ele agradece ao apoio de um vereador que empurrou um sujeito contra um caminhão que passava. Cabe contextualizar que a "tentativa de assassinato apoiada por Lula" foi uma reação a agressões verbais proferidas pela vítima, foi um empurrão cujo propósito (vendo vídeo eu entendo assim) não foi o de matar o imbecil, embora passasse ali o caminhão no momento. 

Uma fala infeliz, equiparada a toda uma vida de atrocidades proferidas repetida e descaradamente, de incentivo à violência ("vamos fuzilar a petralhada", "tem que fazer o que a ditadura não fez e matar uns 30 mil, começando pelo presidente") e por aí vai.

O desespero de impedir que o PT chegue de novo ao poder, faz com que pessoas inteligentes recorram aos mais estapafúrdios malabarismos argumentativos, entre eles a simetria entre Lula e o inominável. As pessoas só tinham um argumento contra Lula: ele é ladrão, ainda que nada tenha sido provado contra o ex-presidente e que ele tenha sido inocentado (sim, inocentado!!) de todos os processos que foram movidos contra ele. (Veja, eu não acho que Lula seja perfeito e eu mesmo tenho muitos argumentos contra ele, mas não deixo de pensar que ele tenha sido o melhor e mais inteligente presidente que o país teve em toda a história).

A "igualdade" entre Lula e o excremento eleito em 2018 passou a ser o segundo argumento. Eu nem vou me dar ao trabalho de listar as diferenças, porque seria corroborar com a comparação que é totalmente descabida e apelativa e (a especialidade de Ciro e sua "turma boa") intelectualmente desonesto. 

Entendam. nem dizer que "os dois são humanos"  ou que "os dois são políticos" é válido. O pedaço de dejetos que ocupa o Planalto sequer pode ser classificado como um dos dois. É um bicho, que mamou nas tetas do erário a vida toda, sem contribuir com qualquer coisa, sendo motivo de chacota, servindo de bobo da corte para programas humorísticos.

Por fim, resta o (também torto) raciocínio de que "eleger Lula apenas para tirar o boçal de lá é exatamente a mesma coisa que foi feita em 2018 quando elegeram o boçal apenas para se livrar do PT". Isso é extremamente ridículo. Senão vejamos:

1) em 2018, não foi o PT quem saiu do poder. O PT foi alijado por um golpe em 2016 (um "acordão" com Supremo e tudo). Naquele mesmo ano, teve início ao sucateamento dos principais pilares do país: saúde e educação. Em 2018, as pessoas votaram movidas pelo antipetismo e pelo ódio classista. 

2) o energúmeno eleito representava uma aposta, para muitos, a crença num país livre da corrupção (do PT, embora o PT tenha sido o partido com menos parlamentares envolvidos em escândalos de corrupção), em um país mais desenvolvido. O voto em Lula não é uma aposta. Ele já governou o país. Tirou-nos do mapa da fome, promoveu distribuição de renda, democratizou o ensino, levou-nos à sexta posição na economia mundial, deu uma banana para o FMI e caminhava para o fortalecimento de um banco independente (dos BRICS). E mais: Lula privatizou e deu lucro aos bancos também. Como eu já disse em outros textos e várias vezes no Twitter, o problema não foram os pobres no aeroporto, foram os pobres nas Universidades. 

Enfim, existe uma polarização? É claro, o sistema é desenhado para isso. Um sem número de candidatos é reduzido a dois, num segundo turno e é natural que os dois primeiros antecipadamente "polarizem" as atenções. 

Oxalá, a polarização só dure até o primeiro turno, onde expurgaremos o mal que nos assola, sem precisar do segundo.

Fique bem.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Saber a hora de parar

O Caso de Abel Braga e uma reflexão sobre a hora de parar.


Não vou entrar na questão da previdência, nem levantar questões que possam suscitar "paixões políticas". Antes, minha intenção aqui é provocar uma reflexão sobre o momento de dar um passo atrás, de parar o que está fazendo e, para quem puder, parar de vez ou, para quem não puder, recomeçar em outro caminho. Tampouco pense que este post é sobre futebol, embora eu vá falar bastante sobre ele.


Afinal, o que me motivou foi o momento atual do futebol brasileiro, mais especificamente dos técnicos brasileiros de futebol, ainda mais especificamente de um técnico em particular: Abel Braga, que hoje treina o outrora glorioso Clube de Regatas Vasco da Gama.


Vamos ao contexto:


Que o futebol brasileiro veio decaindo de qualidade nas últimas, digamos, duas décadas, é inegável. Mesmo para quem não "respira futebol", como meu irmão @Marcello Escobar, o declínio de nossa posição no cenário mundial acontece à olhos vistos.


Posso dizer que o último time de futebol que nos representou, que nos deu orgulho, que estimulou paixão e que é decantado em prosa e verso até hoje, foi a seleção nacional de 1982. Isso mesmo, 1982!! E o time foi eliminado da Copa do Mundo daquele ano. Ok, os mais jovens podem me acusar de saudosismo, dizer que a seleção de 2002 foi grandiosa também, não vamos discutir isso. Pode ser mais do que opinião, mas aqui estou dando a minha.


O futebol brasileiro sempre foi caracterizado pela "molecagem", pela ousadia, pela coragem de tomar a iniciativa, de correr riscos, foi... apenas foi.


Nossos dirigentes passaram a exigir dos técnicos resultados e apenas resultados. Grandes clubes começaram a demitir técnicos com menos de 6 meses de trabalho. Novamente, "tudo bem", dirão alguns. Numa empresa privada, fazemos contratos de 3 meses de experiência, período no qual podemos ser demitidos sumariamente (e pedir demissão também!). Mas, pense um pouco, quantas pessoas em "todos esses anos nessa indústria vital" você viu serem demitidas nos primeiros três meses de contrato por incompetência? Eu nunca vi!


Com a comercialização do futebol, com essa política imediatista e midiática com a necessidade de resultados e, principalmente com a instabilidade da posição de técnico de futebol, nosso futebol mudou. Os técnicos se acorvardaram e passamos a ver e achar normal times buscarem o resultado a qualquer custo. Não importa jogar bonito ou jogar feio, importa ganhar. Aqui, poderíamos fazer uma reflexão sobre a "desromantização", a vulgarização e a "descartabilização" do mundo. Mas isso fica para outro post.


Ficou normal e "fez escola", a "estratégia" (ponha mais aspas) de "jogar por uma bola", de buscar a vitória mínima, fazer um gol e recuar para se defender. Times grandes passaram a fazer isso contra pequenos e a torcida aceitou isso como normal.


Abel Braga é um homem que tem história no esporte. Nunca foi um jogador espetacular, mas sempre foi exemplo, foi um vencedor, encerrou sua carreira como defensor e virou técnico. Defensores transformam-se, por regra, em bons treinadores. Como treinador, o "professor" Abel se saiu muito bem, tido como "paizão" pelos jogadores, teve uma carreira vitoriosa, conquistou um título mundial com o Internacional, vencendo nada menos do que o poderoso Barcelona (ok, não era tão poderoso assim).


Só que Abel Braga se transformou em treinador no momento errado. Virou treinador, nesse ambiente de instabilidade e cobrança exarcebada por resultados. O próprio título mundial que conquistou foi a coroação desse estilo. Vitória mínima, numa única chance aproveitada. Em 2018, Abel fez um trabalho razoável com um time fraco do Fluminense futebol clube. Trabalho elogiado que o manteve no nível de "grande treinador", de "medalhão" do futebol brasileiro. Mas uma tragédia o atingiu. Abel perdeu seu filho, mas continuou trabalhando. Amparado pela torcida e pelos jogadores do Fluminense que passaram a se esforçar ainda mais em nome do seu comandante.


A perda do filho, tornou Abel Braga numa figura ainda mais querida, mais "paparicada", a empatia tomou conta de repórteres e jogadores/cronistas que passaram a elogiá-lo e defendê-lo.


O trabalho no Fluminense credenciou para dirigir o Clube de Regatas Flamengo. Um clube que amargava 6 anos de "quase títulos", mas que passara por uma reestruturação financeira, um processo de saneamento, que colocaria o time numa situação diferente no cenário nacional.


Mas espere... preciso voltar um pouco... algo mudou.


No começo de 2019, um argentino baixinho e careca de nome Jorge, Jorge Sampaoli, que fora campeão da América com o Chile, que fizera um trabalho questionável com a Argentina na Copa do Mundo, surgiu no cenário Nacional.


Abel Braga dirigia o Flamengo, com diretoria nova, jogadores novos e ânimo novo... ânimo novo? Nem tanto.


Enquanto Sampaoli dava ao time do Santos um padrão de jogo alegre, ofensivo, "inovador" e despertava a ira do corporativismo dos técnicos nacionais, chegando a ser criticado pelo fato de andar de bicicleta e ter tatuagens, Abel consegue no Flamengo, com seu estilo defensivo e feio, números até bons, mas não encantava a torcida.


Após perder duas vezes e dizer que "Isso é normal", Abel ficou sem clima e, no meio do ano, o Flamengo foi a Portugal buscar outro Jorge... Jorge JESUS!!


Trocadilhos religiosos à parte, o que aconteceria a seguir cabe em outro post, JESUS (cujo assistente era e é ninguém menos do que João de Deus) "ressuscitou" o Flamengo. Levou o time ao título da América depois de 39 anos, ganhou o campeonato nacional com uma distância de 19 pontos (equivalentes a 6 vitórias e 1 empate) de vantagem para o segundo colocado, o Santos, do primeiro Jorge. O Flamengo teria sido o campeão, mesmo que Abel não tivesse conseguido 1 ponto sequer.


Os dois Jorges abalaram o mercado de técnicos brasileiro. Mostraram que é possível o Brasil voltar a jogar com alegria, leveza, ousadia, aquele futebol intrépido que foi abandonado... tá bom, em 2002, lá se vão quase duas décadas.


Os medalhões do futebol brasileiro foram expostos e, com eles, toda a mídia que os endeusava e os credenciava como grandes treinadores. (Cabe um parêntese: O Brasil não emplaca um técnico em um grande clube do exterior, nem em mercados medianos, há uma década e meia, desde Vanderlei Luxemburgo em 2005, no Real Madrid. (Passagem que também merece outro post).


Então, e o Abel?


Depois da saída desastrosa do Flamengo, Abel foi dirigir o meteoricamente descendente Cruzeiro. À beira da segunda divisão (para a qual viria a descer) o time azul de Minas chamava o comandante para tentar recuperar um time desestabilizado por panelinhas, salários atrasados, com falta total de motivação... Não conseguiu. Com três vitórias, quatro empates e uma derrota (novamente, números até regulares, mas insuficientes), Abel deixou o Cruzeiro faltando 3 rodadas para o final do campeonato, enterrado na Zona de Rebaixamento.


Quando é a hora de parar?


Abel Braga talvez precise trabalhar. Não do ponto de vista financeiro (é só uma especulação, não tenho dados para afirmar isso!). Ele já está certamente garantido. Talvez precise, porque o trabalho, de verdade, mantém o cérebro ativo, mantém o "sopro" de vida, traz a sensação de utilidade para o mundo. Ele precisaria trabalhar como treinador? Esse é o mote desse artigo, toda essa volta para lhe trazer a esta reflexão. Adianto que não vou responder à pergunta. Vou analisar as possibilidades, vou narrar os fatos, sob a minha ótica e, sim, indicar o que penso, mas lhe deixar à vontade para tirar suas próprias conclusões.


Abalado pela perda do filho, tendo saído muito mal dos dois últimos clubes que treinou, nitidamente desatualizado no esporte, sem necessidade financeira de trabalhar. Por que, Abel Braga voltaria à beira de um gramado? À pressão de um vestiário, para provar o quê? Por que por em risco uma história de vitórias, por que desprezar uma campanha fraca, ainda assim digna para terminar a carreira? Deixo-lhe as perguntas que me faço. Sem julgamento de valor, após a maioridade, após tomar suas vacinas (ou não!) as pessoas são responsáveis pelo que fazem e também são quem sofre as consequências.


No começo desse ano, Abel Braga resolveu assumir o comando do Clube de Regatas Vasco da Gama, atendendo ao pedido do presidente do clube que é seu amigo. Outro clube com problemas para pagar salários, outro clube com dificuldade para manter jogadores, outro clube com um caminho complicado, cheio de obstáculos para percorrer. Clube onde se destacou quando era jogador há mais de 30 anos.


Inflado com o "prestígio" de ainda ser chamado para um clube grande e, talvez "emprenhado pelo ouvido" por amigos não tão amigos, Abel se traveste de uma vaidade inesperada e diz que o Flamengo lhe deve pelas conquistas dos títulos.


Começa o ano e o Vasco não começa bem. No primeiro confronto contra o grande rival, o Flamengo, que joga com um time de aspirantes, Abel coloca também seus aspirantes. Alega que está "aproveitando" para fazer experiências, mas muitos analistas (e eu também acho) que ele, mais uma vez, se acovardou e não quis correr o risco de pôr seu time principal e perder para meninos do Flamengo.


Na sexta-feira, 31/01/2020, o Vasco jogou uma partida contra o pior time do campeonato carioca no momento, a Cabofriense... e perdeu. No domingo, com um time “remendado” perdeu um clássico para o Botafogo, desclassificando o time da disputa pela Taça Guanabara (o primeiro turno do campeonato estadual).


Abel parece perdido, suas entrevistas pós derrotas servem de motivo de galhofa na imprensa. "O jogo foi lindo", "Gostei do time", "Tenho orgulho do time".


Abel Braga foi xingado pela torcida do Vasco, deve sair muito queimado do clube... Com um pouco de sorte, o amigo presidente faz-lhe uma homenagem, dá-lhe uma placa, pelos serviços prestados ao clube


Eu não posso me dar ao luxo de parar de trabalhar. Muitos trabalhadores também não podem e não poderão. Mas Abel podia... e não o fez.


Por quê? Quando é a hora de parar?


Fique bem.

terça-feira, 21 de janeiro de 2020

Ah, é, é?...

Na década de 80, houve um humorístico chamado Planeta dos Homens. Nele, os macacos eram protagonistas e surgiram à época muitos bordões que uso até hoje, entre eles "desculpe a ignorância do macaco". Estavam lá Agildo Ribeiro, Jô Soares,  Paulo Silvino, Berta Loran, Alcione Mazzeo, Nuno Leal Maia, Renata Fronzi e muitos outros de altíssimo naipe da televisão e do humor brasileiro.
 
Um dos quadros, era  com Jorge Botelho, interpretando um personagem  que ficava sempre em uma fila ou sala de espera, anyway. De repente, ele gritava alguma coisa como, exemplo, "você é que tem medo até de barata!". Diante do espanto das pessoas ao redor, ele explicava.  "Sabe o que é? É que eu eu tenho um problema, quando alguém me fala alguma coisa, na hora, eu não consigo responder. Eu fico assim "Ah, é? É?". E só algumas horas depois, eu penso na resposta, aí eu falo, como agora."

Essa longa introdução é para falar de um amigo (não direi o nome, se ele quiser se entregar nos comentários,  fique à vontade) muito inteligente e que é "Isentão". Ele faz parte de um grupo de pessoas muito inteligentes (eu estou no grupo!! Heheh) que foi bastante afetado pela polarização atual da política. 
 
Neste grupo, todos me classificam como "petista xiita", porque eu simpatizo com o PT e bato forte no (des)governo BoçalMor.  Não tenho nenhuma boa vontade mesmo. Acho que quaisquer eventuais coisas boas que esse (des)governo faz são como Band aid em corte de motosserra, dadas as atrocidades e a destruição do país, que estão promovendo em todas as áreas. Como disse a Cora Ronái "Melhor do que nada, mas é quase nada."

Noutro dia, eu e esse amigo tivemos uma conversa conciliadora. Ele admitiu seu erro de não ter votado contra o inominável, sabendo o que sabe hoje. Eu falei então que prometeria não ser xiita, se parassem de falar do PT, todas as vezes em que eu batesse no (des)governo. 

Aí, esse amigo disse que eu não poderia reclamar de erros que PT houvesse também cometido... Espera! Dois dias depois me caiu a ficha. Hoje, quase uma semana depois escrevo este texto. 

Que cazzo de argumento é esse? O Isentão usando o "e o PT?". Porra, pensemos um pouco: o (des)governo rouba. Ah, não posso reclamar porque o PT (alegadamente) também roubou.  O (des)governo pressiona e censura a imprensa. Ah, não posso reclamar, porque uma vez o Lula também fez pressão para um repórter ser demitido. BoçalMor mandou matar uma deputada (não tenho provas, só convicção, mas eu não sou procurador da república, né?). Ah, mas e o Celso Daniel? BoçalMor mata índios. Ah, mas Lula emprestou dinheiro para sanguinários. É isso mesmo, senhores Isentões? "E o PT??". Lamentável. 

Aproveito que você chegou até aqui para deixar clara uma posição: O inominável senhor que ocupa o cargo de presidente, lançou-se à reeleição com poucas semanas (talvez meses) de empossado e mantém o clima eleitoral até hoje, citando o PT, e o Lula e todos embarcam nessa onda.

Se você tiver dois neurônios, considerando sua posição, eu lhe peço: Abra os olhos, você está sendo manipulado. (E por um bando de imbecis. Tá, o Olalho de Carvavo não é burro, mas é um imbecil!!!).

Se é de direita: pare de aceitar esse argumento porque o estrago que esse (des)governo está causando ao país pode até conter alguns erros de administrações passadas, mas a comparação impede você de enxergar isso. Não são pequenos pontos de acerto que farão esse (des)governo valer a pena. Mas se você é direita e chegou até aqui, já lhe agradeço pela consideração e parabenizo pela disposição de ler uma opinião diferente.

Se você é de centro: não faça isso. Você está argumentando como um bolsominion dos mais idiotas. Aliás, foi Carluxo quem disse (ele apagou o Twitter e, infelizmente eu não guardei o print) que para reclamar da corrupção desse (des)governo deveríamos esperar pela mesma quantidade de tempo que o PT ficou no poder... Por favor, amigo isento, arranje outro argumento. "E o PT?" não vale.

Se você é de esquerda: por favor, pense duas vezes antes de bater no governo, comparando ao período do PT ou mesmo a qualquer outro período anterior. Só interessa a essa trupe ensandecida que o clima de eleição se mantenha, porque desvia o foco. Não somos "concorrentes" do (des)governo, somos oposição. Se ele cair, haverá muitas coisas (Mourão, Maia, Toffoli, novas eleições) antes de voltarmos a esse espírito. 

Claro, claro que Lula também ganha com seu nome em evidência, aí entra a manipulação de esquerda. Lula é outro capítulo (já escrevi sobre ele, mas ainda escreverei mais). Infelizmente, eu achava que ele era "só" maior do que o PT, mas ele é, minha visão, mais do que toda a esquerda e será muito difícil, enquanto ele estiver ativo (não quero que ele morra, apenas que se aposente) para a esquerda no Brasil se reorganizar. 

Até, vamos vendo a banda passar e dizendo "Ah é, é?"...

Fique bem.

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

Gentileza gera... abuso

Jacques Lacan, psicanalista francês formulou a Teoria do Espelho. Muito resumidamente, diz a teoria que o que vemos nos outros é realçado por aquilo que vemos ou que gostaríamos de ver em nós mesmos. Assim, se uma característica de alguém que está ao nosso lado nos incomoda, de fato, estamos incomodados pela materialização de uma característica nossa da qual não gostamos.

Maquiavel, em um de seus muitos conselhos a seu Príncipe, sugeriu que atribuísse ao outro, seus próprios defeitos, de modo a impedir que o outro o faça primeiro. Na política, este é um recurso muito comum.

A direita ultrarradical que vem se espraiando pelo mundo através dos bilhões de dólares de Bannon e seus quetais, instaurando ditaduras, cerceando direitos em nome de uma "liberdade" para o capital, utiliza este recurso muitíssimo bem. Aponta as ditaduras da esquerda para justificar as suas, aponta a riqueza da esquerda, rotulando-a como hedonismo, para justificar o seu hedonismo, como se a esquerda quisesse "tudo para si" ao invés de "tudo para todos", aponta para o assistencialismo como alimento para a preguiça que, de fato, é sua ao não querer produzir e viver de especulação e da exploração dos desafortunados, anyway, apoia-se no efeito espelho ao máximo e, com isso, convence seus adeptos.

Para mim, só há três tipos de pessoas apoiando esse (des)governo, independentemente do nível de QI:

1) Os mal intencionados, que são maus caráteres. Oportunistas como os mega pastores, os grandes sonegadores, como o Véio da Havan, os lambebotas da imprensa (por favor, não falo de todos os jornalistas,infelizmente é preciso deixar claro!), os idiotas que tem um Corolla do ano e acham que fazem parte da "elite do país", entre outros.
2) Os ingênuos. A grande maioria que não tem discernimento e segue qualquer coisa, seguem a esse (des)governo como seguiriam a qualquer outro, defendendo-o com unhas e dentes sem noção do que fazem.
3) Os orgulhosos. Os "isentões" e os "anti petismo" que se recusam a "dar o braço a torcer" e reconhecer a merda que fizeram.

(Nota, loooongo parêntese: sei que é possível "espelhar" as mesmíssimas três categorias na oposição, contudo acredito que a distribuição percentual entre elas seja o diferencial e, mais uma vez (what can I do?) citando Reinaldo Azevedo, para ser de esquerda o sujeito precisa de um nível mínimo de compreensão da realidade e de "profundidade de discurso" que essa direita radical que está aí, dispensa por ser rasa e opositora do esclarecimento e da educação. Reinaldo dá um exemplo muito bom. Para ser de esquerda, é preciso compreender que o bandido, grosso modo, é uma pessoa que nasceu sem oportunidade, sem perspectivas, levado ao crime pela sedução do dinheiro e da vida boa. Para ser de direita basta pensar: "Bandido bom é bandido morto.", nada mais. Fim da nota)

E são as pessoas inteligentes que estão no último grupo que mais me "tiram do eixo", algumas no segundo grupo também. O que tem me incomodado na sua posição não é uma tentativa pollyanesca de enxergar algo de bom nesse governo. Antes, a eterna insinuação de que quem se opõe a esses excrementos que ocupam o Planalto, seja um "Lulaminion" e, para mim, pior, sua insistência na "desculpa" de que com Haddad seria pior, argumento único de 99,99% dessas pessoas. Soa para mim como um "não vou dar o braço a torcer e reconhecer a merda que fiz" reforçado por "tenho a desculpa perfeita para dormir à noite".

Considere-se, ainda, que há agora os Cirominions tentando surgir como terceira via, o que implica uma falácia intelectual, não obstante seus discursos didáticos (para poucos), linguisticamente quase irretocáveis, mas que escondem uma ideologia enviesada e, em muitos momentos torpe, porque utiliza recursos emocionais "racionalmente calculados" e alegorias que distorcem a realidade, aproveitando-se habilmente de meias verdades ou de meias interpretações de verdade que, num mundo polarizado e raso se tornam mais do que suficientes para arregimentar incautos, como por exemplo sua "ajuda ao PT", quando na verdade ele "ajudou" a todos os governantes desde a ditadura, comendo das migalhas que caíam das mesas, essa "ajuda" entre aspas indica que foram atitudes fisiológicas de quem não queria estar longe do poder.

Ouvindo o podcast Mamilos (estou "maratonando" para tirar o atraso), no episódio sobre ditadura, descubro que há também um "novo Centro". Eu me considero de Centro Esquerda e explico  minha posição, descolando-me do Centro que hoje existe na política  brasileira. Um amontoado amorfo de aproveitadores e oportunistas que se bandeiam para o lado que "pagar mais".

Pois bem, já há uma "campanha de Whatsapp" defendendo que "o Centro" é a solução para essa política polarizada entre "isso que está aí" (refiro-me ao presidente e camarilha) e o Lula (que, infelizmente, não é "só" maior do que o PT, é maior do que a própria esquerda!).

Esse "novo Centro" é uma direita moderada que busca ainda um líder (Dória (argh)? Huck? Maia? Não se assustem se o Ciro se bandear para lá) e que traz um discurso menos exclusivo, menos descomprometido com o social, capitaneada por nomes como FHC e Armínio Fraga. É Centro Direita, não Centro!

Ainda há as pessoas a quem eu pedi que simplesmente se afastassem de mim, pessoas que querem o fechamento do Congresso e do STF, pessoas que ecoam algumas das falas idiotas do estrupício que nos (des)governa como "não há fome no Brasil, porque não há mendigo magro" e outras imbecilidades. Estes não me perturbam, porque simplesmente não os levo à sério. Embora quando são figuras importantes do governo, deixam-me com, no mínimo, uma pulga atrás da orelha, porque a perspectiva de uma ditaduram, por exemplo, sempre foi real desde quando ficou certo que a coisa ganharia a eleição.

Anyway, não são o ódio e o preconceito emanados por este (des)governo de hoje o que me perturba, antes é o ódio e o preconceito, contra os quais luto com todas as forças, que ele e seus adeptos provocam em mim. A figura do atual presidente (estou me recusando propositalmente a escrever seu nome) é, para mim, a coisa mais abjeta e horrenda, minto, a segunda coisa mais abjeta e horrenda, suplantada pelo ministro da (in)Justiça, a passar pela história do país, em todos os tempos, incluídos aí os ferozes Emílio "AI5" Médici e Ernesto "Mão de ferro" Geisel.

Finalizando, a recusa em falar o nome do sujeito que hoje ocupa a presidência e os adjetivos que uso aqui para descrevê-lo são uma forma de passar uma ideia de como me sinto a respeito desse senhor, um pária que "mamou nas tetas do erário", usou dinheiro público para "comer gente", enriqueceu de forma suspeita (ele e os capang..., digo, filhos), um miliciano, um desqualificado. Simples assim. Isso me violenta, porque não me agrada esse tipo de ataque, não me agrada a ideia de um ser humano que não mereça respeito, mas sobre isso digo duas coisas:

1) Todas as regras tem exceção. E esse cara (e os próximos a ele) são exceções à regra de "respeitar seres humanos".
2) Citando Edmund Burke, pensador irlandês, pai do conservadorismo: "Há um limite além do qual a tolerância deixa de ser uma virtude". Ou, como dizia a Vovó, "filho, se você se abaixar demais, a bunda aparece!", ou, como diz o título do artigo...

Fique bem.

terça-feira, 22 de outubro de 2019

Parabéns, José Trajano

Ao excelente jornalista, cidadão, exemplo para todos nós, com um dia de atraso, um pequena homenagem. Um "sonetóstico" (soneto + acróstico). Acabei de ouvir a um Pontapé (podcast de que ele participa brilhantemente toda segunda-feira à noite), muito emocionante com os muitos testemunhos de pessoas a quem ele influenciou e ajudou.

Parabéns, José Trajano dos Reis Quinhões

A imprensa sem ti seria exangue
Largo vazio, de ideias, deserto
O jornalismo está no teu sangue
José, cidadão, altivo, experto

Oh! O mundo não seria o que é
Se não houvesse você em seu seio
És firmeza, integridade, axé
Tanto a trabalho quanto a passeio

Reverenciá-lo é um grande prazer
A todo instante, a te ouvir, ler e ver
José, parabéns por mais esta data

Ainda espero tua presença grata
Nos áudios, vídeos por anos a vir
Obrigado, Trajano, por existir

Do seu fã,

Escobar.

quarta-feira, 31 de julho de 2019

Como não jogar a toalha?

Hoje, 31/07/2019, li o desabafo de um amigo que me abalou:
"Fernando, eu já me cansei de "dar murro em ponta de faca". Não adianta, essa cruzada não tem resultados positivos. Nem aqui no Codi*, nem no Twitter, nem em qq outro lugar. Nada que seja exposto, nada que seja 100% verídico fará com que as coisas se alterem. Já passamos do "horizonte de eventos". Não há mais salvação. Fiquei boquiaberto ontem com a atitude dos adoradores do Bolsonaro. Não há nada que fará com que mudem de ideia. A radicalização está completa e a lavagem cerebral foi profunda e eficaz. São tão piores quanto os defensores de Maduro e do Chavismo. Eu falei sério ontem qdo disse que era pra jogar a toalha. Sabe aqueles videozinhos que a gente assiste onde os humanos estão enfurnados nos celulares e totalmente alheios à realidade? Pois é... a tese acaba de ser confirmada e a profecia se auto-realizou. É triste, mas é a nossa realidade. Não há o que fazer... as instituições ruíram,  os poderes da republica não funcionam mais e a massa, é só massa. Bolsonaro é o reflexo da nossa "sociedade" doentia, reflexo da nossa ignorância, da nossa ganância, do nosso egoísmo, da nossa incapacidade de lidar com o diferente, da nossa inabilidade de dialogar, da nossa falta de senso, da nossa falta de estudo e educação, do nosso orgulho e arrogância, da nossa falta de respeito, do nosso ódio. The dark side wins! As pessoas não farão como Vader no seu momento derradeiro. Não arremessarão Darth Sidius para as profundezas do inferno. Os reflexos desse nosso momento histórico serão permanentes, não há o que fazer no futuro que apagará essa mancha e compensará de alguma forma os erros de agora. É a mesma coisa que acontece quando há uma traição num relacionamento: a mancha sempre estará lá, os reflexos serão permanentes e não há o que fazer. O brasileiro colocou pra fora a sua pior face e não dá pra esquecer isso. Não há solução para o país. Para aqueles sortudos e abastados, sumir daqui amenizaria a dor. Mas ainda restará na consciência aquela culpa de deixar os entes queridos à revelia do nosso próprio povo. Desculpe pela má notícia." (Marcelo Lima)
Há muito, ainda no primeiro governo Dilma, eu estímulo os jovens a irem embora do país,  meu filho mais velho que o diga, só que parece que atingimos um patamar do qual não conseguiremos retornar. O Sr. Jair (antes, a condução dele ao cargo máximo do executivo e o apoio dado à sua monstruosidade) nos trouxe num curto período a um grau de obscurantismo, de imundície jamais pensado, mesmo por aqueles que anteviam algo assim antes do pleito.
A imagem país,  o futuro do país, estão severamente comprometidos.
Como continuar frente à perseverante ignorância e cegueira?
Como... ?
É isso.
Blessed be.

* - Codi é redução de Codiloco.  Um grupo de pessoas esclarecidas, com pensamentos fortemente  heterogêneo, do qual tenho o prazer de participar desde 2001, levado por meu querido amigo, considero  irmão,  Marcelo (Arcanjo) Silva.

quinta-feira, 18 de julho de 2019

Vamos falar de Lula e de Dilma


Lula

Meus amigos podem ficar chateados comigo, mas, é fato, não acredito na honestidade de Lula e nem o acho um “bom caráter”. Se ele merece estar na cadeia ou não (por este processo do Triplex, não merece, que fique claro:  foi um crime cometido pelo Judge Star seu pet), também é um assunto longo, com muitas variáveis que, por si só, já valeria um artigo inteiro. (Ele foi conivente com muita coisa ruim, mas fez muita coisa boa, se formos usar a lógica tupiniquim de acertos justificam erros, a discussão “vararia” uma madrugada).
Vale lembrar sempre: Lula é um gênio! Gênio, melhor assim, com “G” maiúsculo. De comunicação, de política, um monstro. Não pensem que a fundamentação epistemológica lhe faz falta (como faz a Olalho de Carvavo, por exemplo), porque não faz. Ele leu muito, viveu muito e não tem conhecimento formal, mas tem, sim, muito conhecimento e inteligência para utilizá-lo.
Acredito em duas coisas que Lula fala e parecem ser “de coração”:
1) Ele quer acabar com a fome no país. Creio nisso, imagino que ele tenha realmente passado fome e que extirpar este câncer do país seja um de seus objetivos de vida. Ainda que para isso tenha que “abrir as pernas” para os Bancos, os PMDBs, os DEMs, os Macedos e Valdemiros, os “barões” que comandam o país (de dentro e de fora!).
2) Ele não se interessa por “dinheiro”. Até acho que ele possa ter “entesourado” algum dinheiro sujo, para garantir o futuro da família (filhos e netos), mas ele mesmo não seja comprável com dinheiro (em espécie). Acho que aquilo de que ele gosta e sempre buscou, a vida toda, aquilo que o deixa vulnerável, é o poder. Para mim o que alimenta seu ego é ser recebido como “rei” em qualquer lugar do mundo, é ter tapete vermelho e bajulação de líderes mundiais (convenhamos, quem não gostaria?). Tirando isso, não há necessidade de um Triplex de fundos sem vista para o Guarujá, bastavam-lhe um churrasco com os amigos, com futebol e uma cachacinha, e um passeio no sítio, sim, ele usou, não há dúvidas, se “deram para ele” não foi “de papel passado”.
Acho que Lula é, acima de tudo, um “bom jogador”. Ele institucionalizou a corrupção no país e governou tranquilamente por 8 anos, sem oposição e deixou o governo com 87% de aprovação. Mas, pelo outro lado, ele também “liberou” as prisões... Assim: “quer roubar? Quer fazer coisas sujas? Faça, mas se te pegarem, o problema é seu!! Eu não sei de nada”. Nunca a polícia, a PGR, e os órgãos de controle e fiscalização tiveram tanta autonomia quanto na “era Lula”, ressalte-se que os líderes de seu partido foram, em grande maioria para a cadeia (cadeia!!).
(Aliás, parêntese: órgãos fiscalizadores com autonomia, no Brasil, é a mesma coisa que dizer “viva a corrupção!”).
Em entrevista recente na cadeia (acho que em mais de uma) ele demonstrou o quão “bom jogador” ele é: À época da reeleição de Dilma, já havia fila de empresários e políticos na porta dele, pedindo que ele viesse candidato, em 2014, mas ele disse “eu não poderia fazer isso com ela. Era um direito dela e eu tinha que respeitar”.
Conversando com um colega aqui do trabalho, construímos uma analogia do “lado desonesto” de Lula, com o Frank Abaganale Jr.  Se alguém “pegar uma safadeza” dele, ele apertará a mão da pessoa dirá “bom trabalho” e irá mansamente para a cadeia. Isso explica sua revolta tão grande com a farsa do Marreco e seu bichano, penso que Lula “toparia” ser preso, mas “honestamente”!
Lula pecou, no meu entender, ao não usar o seu cacife político para tentar bancar a reforma política, uma reforma justa da previdência e a reforma tributária. Ele sentou lá, se preocupou em acabar com a fome, dar estudo aos pobres, virar “potência mundial” e “só”, sem se preocupar em reestruturar o país, em “cessar o mecanismo” e, como um escorpião que você ajuda a atravessar o rio, o mecanismo “o picou” e junto com Lula, levou o PT, que ficou muito menor do que o barbudo e não consegue e/ou não quer desassociar as duas imagens.

Dilma

Rapaz, que mulher! Dilma é, para mim, quem deveria representar os ideais do PT de 1982, do PT que sonhava com um país honesto e limpo. Do PT que rachou, gerando o PSOL, quando Lula assumiu e mostrou que não moveria uma palha para mudar a bagunça. (Ver item 1 em destaque acima!).
Já ficou provado que ela foi arrancada do Planalto porque queria, verdadeiramente, acabar com a sangria. Queria manter os programas de Lula, queria o bem da população, mas sua incapacidade de articulação (ninguém é perfeito), leia-se agir gradativamente para alcançar o objetivo, levou o país a uma situação insustentável, porque, no segundo mandato, ela não governou, tudo o que tentou fazer foi barrado pelos que esperavam que ela continuasse “a política” de Lula. Pelo PSDB e DEM que brigavam e ainda brigam com o PMDB pelo controle real do país.
Dilma teve um primeiro mandato turbulento, mas foi ajudada pelas excelentes (vou repetir: excelentes!!!) condições econômicas deixadas por Lula. Desemprego baixo, economia aquecida, reservas cambiais na estratosfera. Não dava, mesmo que o PSDB quisesse, para atrapalhar o país... mas... em 4 anos... a crise mundial chegou e Dilma não tinha o cacife político de Lula, não tinha mais a força e o PT, apagado pelo barbudo, também não tinha mais como se segurar.
Dilma já foi inocentada das pedaladas (que sempre é bom lembrar, deixaram de ser crime, pouco tempo depois do golpeachment), de Pasadena e de muitos outros “crimes” que tentaram imputar a ela. Até hoje, não apareceu uma viva alma, para dizer “eu paguei um cafezinho para a presidente em troca desse ou daquele favor”, ela pode ter deixado passar grana para o partido, pode ter tido a campanha financiada por Caixa 2 (que, segundo Moro era mais grave que corrupção, depois deixou de ser mais grave), mas ela mesma, não é acusada de por 1 centavo que seja em seu bolso. Dilma deu força à Lava à Jato, reconduziu Janot ao cargo e caiu por isso.  Teve seu nome sujo na onda do “antipetismo” e perdeu as eleições para o Senado.
Aliás, o golpeachment foi recheado de anomalias, justamente em função da honestidade de Dilma. A maluquinha Janaína Paschoal chorou e se desculpou por ter representado contra nossa “presidenta”, o STF “rasgou a constituição ao meio” no parágrafo sobre impeachment, impedindo a presidente, mas mantendo-lhe os direitos políticos, tudo porque sabiam que estavam fazendo mais mal ao país do que bem, tudo em nome do status quo que culminou na eleição do traste.
Dilma tem um problema, quem viu o filme “O discurso do Rei” há de entender, para falar em público, mas, quem viu as respostas que ela deu no debate da reeleição a viu conversando nos bastidores em Democracia em vertigem, viu o quão inteligente ela é e o quão capaz pode ser.

Misturando as bolas

Para encerrar, cabe um último trecho, comparando Dilma a Lula e citando FHC e a Constituição de 1988.
Cabe dizer que, fazendo leitura corporal em entrevistas e imagens na TV, eu penso (minha opinião) que Dilma e Lula tem profundas divergências ideologicamente falando, mas nutrem um carinho e respeito um pelo outro que só a convivência traz. Os dois foram presos e torturados, mas as histórias são completamente diferentes. Lula não queria Dilma candidata, mas não teve escolha e respeitou o direito dela (como já disse) de concorrer à reeleição.
Anyway, a Constituição de 1988 foi construída para um Parlamentarismo que o plebiscito de 1993 não trouxe e gerou um sistema “híbrido” em que o Executivo vira refém do Legislativo, dando poder ao baixo clero, ao Centrão e às bancadas com suas bandeiras (como BBB, bala, bíblia e boi). FHC se aproveitou disso e, além do seu “engavetador geral da república”, governou 8 anos incólume a escândalos, derrubando seus primeiros ministros, de cabeça, me lembro de Mendonça de Barros e do “Serjão” (não me lembro mais do sobrenome).
Lula surfou na mesma onda. Aliás, Lula, como (a mim me parece) amigo de FHC, fez pouca coisa diferente de seu antecessor. Concentrou os programas sociais e criou o Bolsa Família, entre outras coisas, manteve os bancos bem alimentados (com efeito até os alimentou melhor) e divergiu severamente no quesito privatização. Só que duas coisas que Lula fez o destacaram: “cacarejou melhor” do FHC, como exímio comunicador, soube ganhar muito mais com os programas sociais e manteve o parlamentarismo velado, sendo que deixou seus primeiros ministros serem presos, Dirceu, Palocci, Gushiken (não me lembro se chegou a ser preso antes de morrer), são os de que me lembro agora.
No plano internacional, vejo uma grande diferença entre FHC e Lula. Enquanto o primeiro queria ser “o pequeno entre os Grandes”, isto é, figurar como um dos maiores países do mundo, ainda que sendo o “café com leite” da brincadeira, o barbudo queria ser “o grande entre os Pequenos”.
Ou seja, “olha, EEUU, Europa, aqui na AL, mando eu! FMI? Vá à bosta, venham cá, China e URSS, vocês são grandes, mas a malandragem tenho eu, Índia, África do Sul, cheguem mais aí, vamos criar nosso banco, a gente não precisa da Europa e dos EEUU! Atenção gigantes, para falarem com os pequenos agora, o interlocutor sou eu, resolvam aqui comigo primeiro.”. “O que é esse tal conselho de segurança? Tem poder? Tem influência? Eu quero sentar aí também!!”.
Emprestar dinheiro para fora? Isso não foi “caridade com coleguinhas”, o nome disso é Imperialismo. Sabe o que fazem aqui as grandes petrolíferas? A Petrobrás fazia na Bolívia! Muitos petistas eram contra essa postura! E nossos banqueiros ficaram bem felizes com isso. A possibilidade de calote sempre existiu, no minuto em que ameaçassem tirar o PT do poder!! Mas, ressalve-se, o povo brasileiro não foi prejudicado pela grana que saiu, mais do que foi pela grana que se esparramou aqui dentro nos bolsos da elite.
Dilma rompeu com o parlamentarismo velado, até tentou fazer de Mantega o seu primeiro ministro, mas a tendência à centralização foi maior do que ela. Por conta disso, “matou no peito” a maioria dos escândalos atribuídos ao governo dela, mas foi implacável, exonerou ministros por muito menos do que se prova contra Moro, bastaram suspeitas para afastar o arrogante Lupi. Muito se fala sobre ela ser grossa, mas, comparando com Lula e FHC (dois exímios vaselinas), até o Papa Francisco é um grosso! Internacionalmente, acho que Dilma não “fedeu nem cheirou”, apenas tentou manter a imagem deixada por Lula.
Com relação a apoiar ditaduras (não sei se é melhor do que “ser apoiado por elas” como nosso atual governo), Lula e Dilma sempre foram a favor “do jogo”, cada país se resolve internamente, inclusive acham que Maduro é ruim, mas ele tem que sair ou ser retirado pelo povo Venezuelano, não pelos EEUU.
Por fim, é isso, eu precisava por isso para fora de forma clara e direta. Não sou famoso, mas que venham os comentários, felizmente, sei que mínions não lerão um texto desse tamanho, especialmente com esse título, hehehehehe.

Obrigado por ter chegado até aqui,

Fique bem.