by Ginnungagap

Afirmar é não negar, mas não negar não é afirmar!! O contrário também é verdadeiro.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

A "culpa" é do FHC...

Sobre FHC e o PT.

Permitam-me começar repetindo algo que os fanáticos e radicais não entendem: Eu não "torço" nem pelo PT nem pelo PSDB.

Sim, votei na Dilma e, se o tempo voltasse e a eleições ocorressem novamente,  desta vez, eu sabendo que ela sucumbiria à cartilha neoliberal,  o que mudaria em minha ação é que eu não sairia de casa para votar. Teria justificado meu voto como nas eleições anteriores. 

Isto posto,  gostaria de dizer algumas coisas aos "torcedores", partidários, ideologicamente afetos ao PSDB e todos os demais que ficaram "zangadinhos" porque Dilma jogou no colo de Fernandinho (o intocável) uma grossa parte na responsabilidade pelo que ocorre (sempre ocorreu e duvido que deixe de ocorrer algum dia) na Petrobràs:

1) A culpa pela corrupção na estatal do petróleo pesa sobre todos (sem exceção) os que governaram o país desde que existe a PETROBRÁS (tá, pode ser que o Getúlio escape dessa lista)... todos poderiam ter resolvido o problema, mas nenhum resolveu. Ao contrário, ou foram coniventes ou ativamente participativos nessa verdadeira "farra do boi" que é a gestão financeira da Petrobrás... Nem vou entrar no mérito das outras empresas estatais e ministérios...

2) FHC "roubou" o plano real de Itamar (e, de fato não "é" de nenhum dos dois, mas Itamar foi quem teve o peito de implementá-lo!), diz que o Bolsa Família é criação sua... Oras, Tudo o que de bom ocorreu no governo do PT, segundo Fernandinho, é herança de seu governo... Já, ainda segundo nosso amado ex-presidente, tudo o que aconteceu de ruim, "nunca antes na história do país" havia acontecido! A culpa disso é um pouco do PT, ainda que os governantes em geral usem a política do é bom é meu, é ruim é do outro, Lula e seu bordão "nunca antes na história desse país" trouxeram isso para si, se querem todos os louros que fiquem também com todo o lodo... Dilma está muito mal assessorada, seja por burros ou por cafajestes, não era hora para uma declaração dessas...

3) partindo do pressuposto de que a culpa seja exclusivamente do governo atual,  gostaria de lembrar aos tucanos que foi FHC quem levou o PT ao governo. Sim! Foi sua vaidade ao ver Aecinho derrotado na corrida à candidatura de 2002, que o fez não subir no palanque de Serra, salvo à beira da eleição, que fez Serra gagejar em todas os debates quando perguntado sobre continuismo... 

Parêntese: (Tudo bem que as táticas de Serra (v. A privataria tucana) também ajudaram a derrubá-lo. Ele usou de seus truques sujos contra Roseana Sarney, é época com excelentes intenções de voto para presidente e representante do grupo que manda de verdade no país e, também por isso, caiu! E arrisco dizer que nunca será eleito para nada fora de São Paulo).

4) Como disse, com todas as letras,  em uma entrevista,  o finado (mas não refinado) Caixa D'água (Eduardo Viana,  nefasto ex-presidente da federação de futebol do Rio de Janeiro): "quem tem poder e o perde é burro ou fraco"... Lula não é nenhuma das duas coisas,  tio Fernando foi uma das duas ou ambas, em função de sua vaidade... Portanto,  se há culpa e ela é de Dilma, ela é de FHC... Não adianta chorar... 

5) Por fim, FHC entregou o ouro e o PT não vai largá-lo. Como Caixa D'Água que só deixou a presidência da FERJ ao morrer, o PT está há 12,5 anos no poder e ainda não perdeu completamente o apoio do PMDB. Collor caiu, porque foi por demais ganancioso, subiu rápido, desceu rápido... Lula esperou pacientemente por 20 anos pela oportunidade e já tem informações suficientes para derrubar muita gente junto com ele...

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Porandubas do Torquato...

Reproduzo a deliciosa coluna de Gaudêncio Torquato, publicada no site Migalhas. Gosto muito da análise que ele faz do cenário político nacional... Vale a pena visitar o site também.
Atenção para o trecho que destaco em azul...


Blessed be...

Porandubas Políticas
por Gaudêncio Torquato

Porandubas nº 432 (quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015)
Água, água
Nesses tempos de falta d'água, uma deliciosa historinha sobre o "precioso líquido", que vem dos confins da gloriosa PB :
Brejo das Freiras é uma Estância Termal nas lonjuras da PB, lá perto de Uiraúna e Souza. Trata-se de um lugar para relaxamento e repouso. O governo da PB tinha (não sei se ainda tem) um hotel, com uma infraestrutura para banhos nas águas quentes. Década de 70. Apolônio, o garçom, velho conhecido dos fregueses da região, recebe, um dia, um hóspede de outras plagas. Pessoa desconhecida. Lá pelas tantas, quase terminando a refeição, o senhor levanta a mão, chama Apolônio e pede :
– Meu caro, quero H2O.
Susto e surpresa. Anos e anos de serviços ali no restaurante e ninguém, até aquele momento, havia pedido aquilo. Que diabo seria H2O ? Apolônio, solícito :
– Pois não, um instante !
Aflito, correu na direção da única pessoa que, no hotel, poderia adivinhar o pedido do hóspede. Tratava-se de Luiz Edilson Estrela, apelidado de Boréu (por causa dos olhos grandes de caboré), boêmio e galanteador, acostumado aos salamaleques da vida.
– Boréu, tem um senhor ali pedindo H2O. O que é isso ?
Desconfiado, pego sem jeito, Boréu coça o queixo, olha pro alto, tenta se lembrar de algo parecido com a fonética e, desanimado, avisa :
– Apolônio, sei não. Consulte o Freitas.
Freitas era o diretor do grupo escolar, o intelectual da região. Localizado, o professor tirou a dúvida no ato :
– H2O é água, seus imbecis. Quer dizer água. Água. Ignorantes.
Apressado, Apolônio socorreu o freguês com uma jarra do líquido. Depois, no corredor, glosando o feito, gritou em direção a Boréu :
– Ah, ah, ah, esse sujeito lascou-se. Achava que nós não sabia ingrês.
As crises e a índole
As crises se integram para formar as nuvens de uma tempestade perfeita : crise econômica, com recessão e retração do PIB em 1% este ano ; aumento de impostos ; juros altos ; poder de compra reduzido, etc. Crise política, com rebuliço no Congresso, a partir da relação de nomes envolvidos no petrolão ; nova legislatura, com presidente da Câmara eleito contra a vontade do Palácio do Planalto. Crise hídrica, com a falta de chuva secando o poço da imagem dos governantes e mexendo com o ânimo dos consumidores. Crise energética, com grandes riscos de apagões no segundo semestre deste ano. Crise social, com as ruas infladas de movimentos indignados. Crise de confiança. Crise de credibilidade. Que isso tem a ver com a índole dos governantes ? A índole contribui para apertar os cinturões das crises ? Resposta : sim !
A índole de Dilma
Dilma, a mandatária-mor, tem ojeriza à política nos moldes como nossa cultura ordena : balcão de recompensas, troca-troca, benefícios, votos sob influência do orçamento, cargos nas estruturas do governo, etc. O corpo político sabe disso. E aproveita para jogar mais lenha na fogueira. Se a presidente não tem disposição para cozer o feijão com o arroz da política, que arrume bons cozinheiros para sua cozinha. Ora, ela escolheu três gourmets gulosos : Aloizio Mercadante, Pepe Vargas e Miguel Rossetto. Que não são craques na articulação política. Falta-lhes o jogo de cintura. Por isso mesmo, a imagem do governo vai mal. E a presidente, com sua índole, contribui para expandir os atritos e conflitos.
A imagem dos governos
A imagem dos governos é a projeção de sua identidade. E a identidade é a soma dos conteúdos – ações, programas, promessas, rotinas, processos, sistemas, projetos, etc. Se os conteúdos não estão se desenvolvendo a contento, não há milagreiro que possa melhorar a imagem dos governos. Não há comunicação capaz de provar que o Brasil está vivendo momentos de fartura : água, energia, bons transportes, alimentos baratos, felicidade geral. O engodo não resiste à realidade. Não se tapa o sol com peneira. Os buracos não deixam. A imagem é, portanto, resultado do que se faz, do que se opera, do que se percebe. E a cognição social sobre o governo Federal não é boa.
Limpando a imagem
O que se pode fazer é uma limpeza periódica no painel da imagem. Nesse caso, os comunicadores dos governos devem trabalhar com as cinco pernas do marketing institucional : a pesquisa, o discurso, a comunicação, a articulação e a mobilização. Pela pesquisa, identificam-se os pontos positivos e negativos da imagem. O discurso precisa ser composto a partir dos inputs da pesquisa. Nesse ponto, cabe lembrar que o discurso comporta programas e projetos mais adequados para responder às demandas sociais. A comunicação abre as pontes do governo com a sociedade, levando suas ideias e intenções. A articulação complementa o esforço de ajustamento com os exércitos da política e dos movimentos sociais. E, por último, a mobilização é o motor que gira a agenda dos governantes : visitas às regiões, contatos com as massas, encontros com grupos organizados, etc.
Quem pensa assim ?

Perguntinha do momento : há alguém no governo que pense dessa forma ? Há alguém que entenda de comunicação e marketing como ferramentas estratégicas ? Quem faz a ligação entre os elos – pesquisa, discurso, comunicação, articulação e mobilização ? Thomas Traumann, o ótimo jornalista da grande mídia ? Mercadante, um ex-senador com fama de auto-suficiente ? Rossetto, um quadro da militância preocupado em abrir diálogo com os movimentos sociais ? Ou João Santana, o perito na arte publicitária, produtor de firulas nas campanhas de propaganda ? Comunicação governamental é algo mais complexo que campanha publicitária ou briefings jornalísticos para orientação da presidente.

O périplo de Lula
Lula está montando sua estratégia para tentar resgatar o vetor de peso da presidente Dilma. Como se viu pela pesquisa Datafolha, ela perdeu 40 pontos na boa avaliação. Lula vai viajar Brasil afora, mas em vez de rápidas passagens, deverá permanecer nas regiões alguns dias e mesmo semanas. Tentativa de correr o interior dos Estados, falando com prefeitos, vereadores e lideranças políticas e institucionais, a par de movimentos sociais. É claro que nessa nova caravana do lulismo, ele estará jogando seu nome nas ruas. Se essa for realmente a ideia, há um lado perverso na estratégia : antecipa o final do governo Dilma. O Volta, Lula assumirá maior visibilidade que o governo Dilma.
A estética
À guisa de provocação : Você imaginaria Jesus Cristo sem barba ? E Abraham Lincoln, seria o mesmo sem a barba ? Que tal um Ghandi cabeludo ? Elvis Presley sem o topete teria o mesmo charme ? O código estético é o primeiro a se infiltrar na mente.
Geraldo cai
Geraldo Alckmin também caiu na lorota de afirmar, por vezes seguidas, que não haveria falta d'água em SP. Teve queda de 10 pontos na imagem positiva. Pois bem, o racionamento já começou, apesar da tentativa do governo de disfarçar a decisão. No melhor cenário, se chover muito, a água vai faltar lá para os meados do segundo semestre. O que exigirá forte racionamento, algo como cinco dias de racionamento por dois dias de água na torneira.
PMDB e PT
Não interessa ao PMDB discutir coisas como impeachment, etc., como muitos pensam. O que há é muita especulação em torno do tema. Interessa mais que o PT deixe a arrogância de lado e seja mais parceiro dos partidos de base.
Levy segura a peteca ?
Gente de estofo na economia garante que o esforço de Joaquim Levy dará com os burros n'água. A retração puxará o PIB para a banda negativa. Sem crescimento, o país ficará patinando. Sem sair do lugar. Desemprego, nesse cenário, expandiria o Produto Nacional Bruto da Infelicidade.
Três historinhas

1. Condenado à morte por corromper a juventude, Sócrates, o filósofo, recusou a oferta para fugir de Atenas sob o argumento de que seu compromisso com a polis não lhe permitia transgredir as regras. Os gregos cultivavam o respeito à lei.
2. Lúcio Júnio Bruto, fundador da República Romana, libertou seu povo da tirania de Tarquínio, derrubando a monarquia. Mais tarde, executou os próprios filhos por conspirarem contra o novo regime. Pregava o poeta Horácio : "Doce e digno é morrer pela Pátria".
3. Outro romano, rico e matreiro, conta Maquiavel no Livro III sobre os discursos de Tito Lívio, deu comida aos pobres por ocasião de uma epidemia de fome e, por esse ato, foi executado por seus concidadãos. O argumento : pretendia tornar-se um tirano. Os romanos prezavam mais a liberdade do que o bem-estar social.

O melhor enredo ?
Os relatos sugerem a seguinte pergunta : qual dos três personagens se sairia melhor caso o enredo ocorresse dentro do cenário da política contemporânea ? O terceiro, sem dúvida. Não seria executado por alimentar a plebe, mas glorificado, mesmo que por trás da distribuição de alimentos escondesse a intenção de alongar um projeto de poder. Essa é a hipótese mais provável em países, como o Brasil, de forte tradição patrimonialista e com imensas parcelas marginalizadas e carentes.
FHC no Lava Jato ?
O ministro José Eduardo Cardozo, da Justiça, afirma que a era FHC também entra na Operação Lava Jato. É o caso de conferir. Cada ciclo deve ter suas contas abertas.
Em Cuba
A propósito, Fernando Henrique e sua mulher passarão o carnaval em Varadero, em Cuba, a charmosa praia cheia de hotéis cinco estrelas, que os cubanos não podem frequentar. Terá encontro com Fidel ? Não pensem nisso. A imagem seria um estraga-prazer no carnaval dos tucanos.
Justiça do Trabalho
A Justiça do Trabalho é o fulcro dos gargalos no Judiciário. Acusada de expandir a burocracia e de legislar. Esforça-se para segurar velhos processos e métodos com o objetivo de evitar perda de poder. Quanto mais poder de punição, mais forte fica. Daí ter se posicionado contra novas regras para a flexibilização das relações capital/trabalho.
600 emendas
A MP com mudanças na legislação trabalhista deverá receber uma enxurrada de 600 emendas no Congresso. Vai ser difícil alcançar consenso.
PEC da Bengala
A PEC da bengala começa a andar. Já não se trata de hipótese impossível a aposentadoria dos juízes aos 75 anos.
Ativos e passivos

John Stuart Mill, um dos pensadores liberais mais influentes do século 19, classificava os cidadãos em ativos e passivos, aduzindo que os governantes preferem os segundos, mas a democracia necessita dos primeiros. A comparação do filósofo inglês, pinçada por Norberto Bobbio em seu livro "O Futuro da Democracia", expressa, ainda, a ideia de que os súditos são transformados num bando de ovelhas a pastar capim uma ao lado da outra. Ao que Bobbio acrescenta : "Ovelhas que não reclamam nem mesmo quando o capim é escasso". Pois bem, por estas bandas, apesar do capim farto, equinos, caprinos e bovinos rompem o cabresto e saem dos currais. E mais, não querem ser comparados a animais irracionais e dóceis. A notícia boa é que a imagem acima desvenda um Brasil cidadão que decidiu expurgar o passado do voto amarrado à distribuição de benesses e à opressão dos senhores feudais da política.

À guisa de conclusão
"Misia Sert dominava a arte de caçar moscas. Estudava pacientemente os modos destes animais até descobrir o ponto exato em que havia de introduzir a agulha para pregá-las sem que morressem. Exímia na arte de fazer colares de moscas vivas, entrava em frenesi com a celestial sensação do roçar das patinhas desesperadas em seu colo."
Conto de Elias Canetti. Um flagrante das esquisitices humanas.
E assim caminha a humanidade...

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Sobre Israel e o Hamas

Amigos, amigas, manos e manas,

Muito se tem falado sobre as ações do governo israelense em Gaza. A guerra extrapola o campo físico e avança feroz pelo campo da informação e, nesse mundo livre da internet, é fácil produzir estatísticas, argumentos, analogias, desculpas etc.
É impressionante o que se pode estudar sobre a "arte de dialogar" e as estratégias que são aplicadas na defesa de um ou de outro ponto de vista.
Antes de expor minha visão, preciso fazer um longo preâmbulo, que eu sei não vai adiantar de nada, cada um vai ler o que quiser mesmo e extrair do texto os pedaços que lhe convier para defender seu ponto de vista e mostrar que ou eu o estou corroborando ou estou me opondo a ele.
Senão vejamos: eu tenho um profundo respeito pelo "povo judeu". O judaismo contribuiu em muito para o que hoje temos como sociedade ocidental. Eram eles os ourives que deram origem aos bancos, foram eles que escreveram (senão ao menos difundiram) as bases dos princípios morais e religiosos em que muitos de nós, independentemente de crença, fundamentamos nosso comportamento e, sim, eles são um povo que vagou por várias nações sofrendo preconceito sendo "escorraçados" até que Hitler teve a hedionda ideia de extermina-los.
Tenho amigos judeus, com quem sempre aprendo alguma coisa (até "piadas de judeu", como no segundo grau onde convivi com as "meninas do normal", em sua maioria judias).
Por fim, como teórico da conspiração, acredito que o "eles" que controlam a sociedade ocidental sejam, senão no todo, em sua maioria, judeus, todos sentadinhos tranquilamente naquela avenida de Nova York. Com efeito, li um estudo (a melhor reprodução que achei foi aqui) em que uma das versões dizia que 6% (quem for ao link, relacione com os "6" Norte americanos) da população mundial detinha 60% de toda a riqueza do mundo e que seriam todos norte americanos e judeus (não consegui achar essa versão).
Anyway, outra coisa que preciso deixar muito clara é que sou verdadeiramente contra o terrorismo (seja ele físico ou ideológico), mas, em muitas situações eu o entendo, o que não quer dizer que eu concorde com ele! 
Também é importante estabelecer que li várias versões (várias, religiosas, históricas, geográficas) sobre quem tem e quem não tem direitos sobre o território de Israel e confesso que não cheguei a uma conclusão satisfatória. O que não significa que vou "subir no muro" nessa questão. Basta que se veja  o mapa (no meio da página) que mostra a evolução da população na região, para ver que, tendo direito ou não, os judeus simplesmente "já tomaram" o território.
O que me incomoda, nesta história é ser "chamado de idiota". As estratégias de comunicação que Israel vem utilizando e, à reboque, alguns desses meus amigos judeus e outros que não o são, mas que ou simpatizam com a causa ou tem medo "deles" ou simplesmente se convenceram dos argumentos ou, finalmente, acham que o Hamas é o culpado pelos bombardeios, porque o Hamas é o "bicho papão", feio, mau e pronto(!), são (as estratégias, não se perca em minha prolixidade) de ofender a inteligência de qualquer interlocutor.
Desde o "comentário anão" do porta voz isralense até os posts que tenho visto no Facebook, ainda não vi um argumento sólido que justifique o massacre que está sendo cometido em Gaza. (Sim, já começo a indicar minha "posição no conflito", se é para ser booleano, então já vou logo dizendo: estou contra o governo de Israel e o Tio Sam, sei que não adianta, mas isto não quer dizer contra "os judeus" e "os americanos", mas quem quiser interpretar o contrário, eu só lamento e espero que não venha um dia a ser meu chefe ou cliente!).
Senão vejamos alguns posts que estão sendo usados para, digamos, "arregimentar simpatizantes" para Israel:
- foi descoberto um plano do Hamas para conquistar Israel através de túneis pelos quais os terroristas, aproveitando um feriado, sequestrariam pessoas e tomariam Israel. (Nem vou comentar...)
- 87% da população de Gaza é contra o Hamas e quer um governo israelense (!!). Ok, supondo que esse número seja fidedigno, surge uma pergunta:  Por que essa população que está sendo massacrada, já que vai morrer mesmo, não se vira contra o Hamas e os ataca? Convenhamos, num território daquele tamanho, todo mundo deve se conhecer pelo nome e sobrenome, né? (ok, isto foi uma figura de linguagem, não tentem jogar fora tudo o que escrevi, por causa de um exagero!);  essas pessoas que estão "enjauladas", sem água e sofrendo um verdadeiro apartheid...
- Por que não olham para os massacres na Líbia? Para os assassinatos no Rio de Janeiro? Ou qualquer outra mortandade por aí? - O que se quer com um argumento como esses? O que isso quer dizer? Deixem-nos matar os palestinos "em paz" (pun intended) e vão cuidar das suas vidas ou das de outros assassinos? Essa estratégia de "olhe para lá, tem coisa pior" me deixa muito aborrecido, é fazer pouco da minha pouca inteligência.
- O mundo está expressando seu ódio pelos judeus. Bom, eu não posso falar pelo mundo, posso falar por mim (e já falei aqui!). Eu, e muitos dos que conheço, estou expressando meu tremendo desacordo (ódio não porque não é um sentimento que eu costumo alimentar) com as ações do governo de Israel. Netanyahu hoje (e todos os que o apóiam, na minha visão) já pode ter seu retrato pendurado na mesma parede onde estão os de Hitler, Mladic e dos líderes dos outros maiores massacres da história. (E Mr. Peace Nobel Obama, está reservando seu espaço nesta parede!). De qualquer forma, o drama do coitadinho  não serve.  O post de Eduardo Galeano derruba este argumento.
- Se você é contra o ataque a Gaza, você é a favor do Hamas... quando escuto isso, penso em falar um palavrão... aí, conto até dez para não perder a razão. Mas a resposta é algo do tipo: "Querido, qual parte do sou contra o terrorismo você não entendeu?"... Este é, de longe, o argumento mais estúpido ou de má fé que se pode usar.
Resumindo: 
Sou contra os ataques a Gaza, Israel tem inteligência e tecnologia para acabar com o Hamas, sem acabar com a população Palestina da região e não o faz, porque não quer
Eu vejo dessa forma: Israel quer o território todo (não me importa se tem direito a ele ou não) e vai empregar, incansavelmente,  todos os esforços para conseguir isso, seja expulsando ou exterminando os árabes que lá estão, simples assim. 
Blessed be! Fiquemos em paz.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

De saco cheio! (acho que até de mim mesmo!)

Bem amigos, pacientes leitores deste blog...

É...  o começo deste post remete propositadamente a Galvão Bueno e a tudo o que ele representa, exploração econômica do esporte (pela Globo e quetais), imbecilidade útil, diversão para a massa ignóbil, um palhaço que comanda o circo (isso, do "pão e circo") que ilude a todo mundo. (Afinal a Copa está aí e já tem muita gente boa dizendo que não torcer pela seleção é falta de patriotismo!).

Quero lhes contar um segredo. Atenção! Isso é uma bomba! Ninguém no universo sabe disso. Só estou conseguindo fazer este post porque tenho poucos leitores e ainda não chamo a atenção d"eles" (sim, o "eles", com aspas, que comandam o país e o mundo). É com muita alegria que comunico a vocês, em primeira mão que o PT não inventou a corrupção!

E digo mais (depois disso, os meus eventuais radicais leitores "anti-PT" pararão de ler o post, mas todos temos o direito a uma opinião. Não me preocupa se vou ser tachado de "comunista" ou "amante do PT", porque não o sou), se me pusessem uma arma na cabeça hoje e me obrigassem a votar em qualquer um dos candidatos à presidência que temos aí, depois de pensar seriamente em apertar o gatilho eu mesmo (!), eu votaria na Dilma. (Eu não vou votar, vou justificar meu voto, isso significa que tacitamente estou concordando com o que vier. No fundo, para mim, fará pouca diferença).

Senão vejamos: o PT chegou ao poder depois de tentar pelas "próprias pernas", vendendo a alma para os verdadeiros controladores do país (já falei disso em outro meu último post, aqui no blog e no Facebook), mas vou repetir (para efeito de fluidez do discurso): o grupo que, se fosse comparado a um iceberg, teria José Sarney, Renan Calheiros e o PMDB como "ponta do Iceberg". Este grupo está efetivamente no poder há pelo menos 30 anos. São banqueiros, grandes empresários e políticos astutos.

Recapitulemos: Eu sempre disse que o Brasil é o paraíso dos sociólogos (o que penso do país está no meu penúltimo post). Fernando Henrique provou isso ao chegar lá e implantar um verdadeiro parlamentarismo "tácito", ao conseguir se reeleger e tal...

Durante seus oito anos de poder, THC, digo, FHC sobreviveu a escândalos e a um mensalão de 200 mil reais para se reeleger. À época, caíram Serjão, Mendonça de Barros e outros, deixando incólume sua majestade o presidente (ainda vou escrever sobre isto, mas "votaria" em FH para "rei"). Nestes mesmos oito anos, FHC "vendeu" a imagem do país como poucos, discursou na Sorbonne, salvou Clinton por telefone no caso do "charuto sabor perereca" (quem não se lembra de Bill sentado num banquinho, fazendo propaganda para Serra, para retribuir o favor?). O problema é que FHC e o PS-em-cima-do-muro-DB governaram exclusivamente para a elite, espremendo os pobres, iludindo a Classe Média (que acha que é elite) e disfarçando com Iogurte, Frango e Dentadura.

Mas FHC fez uma coisa boa (aliás, quem fez foi o sujeito mais injustiçado da história do país, Itamar Franco), ele acabou com a inflação. Só que, meus amigos economistas me ajudem, acabar com a inflação, com o nível de juros praticados neste país é promover uma concentração de renda mais absurda que, ou tanto quanto, a famigerada Correção Monetária inventada por Delfim na época da ditadura. (By the way, aos amigos que defendem a época dos militares, digo que ainda estou esperando pela minha fatia do "bolo que Delfim cresceu"! Caso voltem ao poder, por favor, paguem a dívida. Aproveitando o parêntese, FHC e o tucanato conseguiram transformar Socialista em Extrema direita, impressionante!).

FHC vendeu a imagem do país e vendeu o país também! Nossos ativos (Teles e outras) foram repassados a grupos privados, com fundos do BNDES (ou seja, compraram de nós, com o nosso dinheiro) à "troco de banana" e nossa dívida externa cresceu algo próximo de 700% no tucanato. (Ainda não li, mas já está "na agulha" A privataria tucana.).

FHC tinha, no entanto, muita popularidade e poder para eleger seu sucessor (como disse o funesto falecido presidente da federação carioca de futebol, Eduardo "Caixa D'Água" Vianna, quem tem o poder e perde e burro ou fraco). Com efeito, FHC foi burro (é, no nível em que ele está, o erro que cometeu pode ser chamado de burrice), enfurecido e cego pela vaidade, ao ver seu pupilo "Aecinho" derrotado internamente nas "prévias" do PSDB, o "assim-não-é-possível" Fernandinho, o que fez? Apoiou Lula, que havia 20 anos lutava para chegar ao poder e o levou (FHC ao Lula) pela mão até os supremos mandatários da nação. Para quem não se lembra, FHC já queria Aécio no trono havia muito tempo. Ele e seu vice chegaram ao ponto de se ausentar simultaneamente do país, quando Aécio era presidente da Câmara, para deixar o garoto brincar de "presidente por um dia"  (e foram três dias!!), como se a presidência da república fosse "um mimo". Ainda recordando, FHC chegou mesmo a subir num palanque de Lula durante a campanha que elegeu pela primeira vez o bearded frog.

Finalmente no poder, Lula e seus asseclas acreditaram (como Collor acreditou) que conseguiriam tomar o poder, pior, que tinham poder de verdade. Eles conseguiram, no entanto, convencer a elite de que deveriam de fato jogar migalhas para a patuléia. Justiça seja feita (quem se preocupa com justiça neste país, né?), o PT promoveu a maior redistribuição de renda da história do país. Mas uma distribuição ilusória, tal e qual FHC e seu controle de inflação com juros escorchantes, Lula deu dinheiro para o povo sem, no entanto, dar as ferramentas para que este povo pudesse realmente evoluir. Ou seja, o dinheiro foi todo para o consumo e para os bancos (de volta). Quem se ferrou (de novo)? A Classe Média de verdade, que acabou financiando a farra (como sempre).

Lula (himself) nunca se preocupou com o povo ou com a nação. Tudo o que ele queria era "chegar lá". De cara, afastaram-se dele os "puristas" e "idealistas" do PT, Marina, Chico e o PSOL. (Aqui cabe mais um parêntese: se é que se pode colocar político e íntegro na mesma frase, Chico Alencar ainda é o político mais íntegro que eu conheço, mas não ponho minha mão na água morna, por ele! E, por favor, não me falem de Marcelo Oportunista Freixo). Em seguida, começaram a se decepcionar os "intelectuais da esquerda" ao verem que, apesar de alguma coisa boa, Lula havia se transformado (dúvido que algum dia tenha deixado de ser) naquilo a que radicalmente se opunha: mais do mesmo. Sobre Lula, aconselho esta entrevista de José Nêumanne Pinto. Não deixem de ouvir!!!).

Anyway, José Dirceu, Genoíno, Gushiken (se estivesse vivo) foram parar na cadeia (mas nem tanto) como castigo por terem tentado tomar o poder. Lula lavou suas mãos e disse que "não sabia de nada" (tal e qual FHC com seus escândalos) e Palocci (cadê ele?), botou o rabo entre as pernas e foi beber whisky com Marco Maciel (presumo eu).

Lula incomoda porque desfaz a ilusão da Classe Média que a direita promove. O PT, com sua apologia à pobreza, joga na nossa cara o quanto somos idiotas e trabalhamos para pagar as regalias dos corruptos e não nos permite mais tratarmos o povo como ralé, porque o povo agora também pode comprar. Ele acaba com nossa alegria hipócrita.

Dilma (como Collor e como José Dirceu) acreditou que conseguiria "enganar os lobos". Fingiu-se de "poste" para ser eleita e começou a mostrar suas asas, uma vez no governo. É uma mulher forte, decidida que, lógico, não sabe falar em público (chega a ser pior do que Lula quando improvisa), mas também é mais do mesmo. Ela correu (e ainda corre) o risco de cair, se tentar continuar andando com as próprias pernas, seja vendo Lula ser o candidato pelo PT, seja perdendo para Aécio.

Você deve estar se perguntando: e o Galvão? E o saco cheio?

A Copa do mundo está sendo usada politicamente para ataque ao governo. Eu particularmente, estou sem tesão para o futebol, sem tesão para a FIFA e a CBF (acho que os maiores antros de corrupção desde o Império Romano). Mas acho que as pessoas devem abrir os olhos. A Copa não é o PT, assim como o futebol não é o Brasil!

Não acho que os opositores de Dilma irão fazer algo melhor do que o que ela faz. Inclusive já disse que ela devia utilizar como slogan (parafraseando Tiririca): "Melhor do que está não fica!" (e está uma m...).

Então, sejamos contra a Copa, desfaçamos finalmente a idéia de que, sermos os melhores do mundo no futebol, nos faz "os melhores do mundo de alguma outra forma", não vamos aos estádios, não assistamos aos jogos, mas não misturemos PT e Copa.

Toda a vez que vejo um vídeo maneiro, como este ou este, contra a Copa, falando de nossas mazelas e estou pronto para clicar em compartilhar, descubro que o vídeo é, no final, uma propaganda "anti-PT" e não compartilho (tá, estou compartilhando agora, mas com a ressalva feita!!). Cabe acrescentar que depois de "pensar um pouco", acredito que "roupa suja se lave em casa". Não acredito que vamos conseguir algo mostrando ao mundo nossas mazelas, temos que resolver por nós mesmos, aqui dentro.

O PT é uma grande decepção, mas qualquer um que elegermos também será se não conseguimos tirar do poder quem verdadeiramente manda nele. E não vai ser fácil!!

Outra coisa que tem me enchido o saco é: "Vote direito"... Cazzo! Em quem? Não há meio de anular eleição (isso vale outro post) e, de fato, brasileiro vota como se estivesse "apostando em corrida de cavalos", o brasileiro médio (conheço gente boa que está neste "saco") acha que se seu candidato perder, ele "jogou seu voto fora" então muitos (muitos mesmo!!!) votam em quem acham que vai ganhar, em vez de votar em quem acham que deveria ganhar... (OMFG!) Mas votar direito é algo impossível com os políticos que temos aí. (Você que mora no Rio de Janeiro e vai votar para Governador, diga-me se a primeira coisa que vem à cabeça ao se olhar para a lista de candidatos não é "WTF???")...

Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Fiquemos ligados e o último que sair apaga a luz do aeroporto!

quarta-feira, 4 de junho de 2014

A excrecência chamada PMDB

Gostaria de dividir com vocês o seguinte raciocínio.

1) O que era o MDB? O Movimento Democrático Brasileiro era um verdadeiro "saco de gatos" onde se reuniam todos os que eram contrários à ditadura militar. Desde os radicais esquerdistas que hoje são o PSTU até moderados que hoje estão na direita, em partidos como o PFL, por exemplo. À época da ditadura, só era permitido o bipartidarismo, então, tínhamos, do lado do governo a ARENA (Aliança Renovadora NAcional) e na oposição o MDB.

2) Com o fim do bipartidarismo em 1979 e a (re)regulamentação dos partidos comunistas em 1985, o Brasil viu renascerem partidos como o ultradireita PDS (Partido Democrata Social) e o PCB(Partido Comunista Brasileiro, cuja sigla seria mais tarde extinta por seu líder, e durante muito tempo um exemplo para mim, Roberto Freire, em quem votei para presidente da república em 1989, tornando-se o atual PPS).
A direita, criou muitos partidos, a esquerda também...
Só que, notem, não surgiu um "P"ARENA, por quê? Porque não fazia sentido, as pessoas estavam juntas ali por conveniência, porque mamavam na tet.. quer dizer, por afinidade ideológica com a ditadura. Ao não verem mais necessidade de estarem agrupados, trataram de recriar seus partidos "pré-bipartidarismo". Cabe observar que a UDN (União Democrática Nacional) não resurgiu, porque, à época, todos os partidos teriam que começar com "P" (de PQP)...
Ocorre que, na esteira de um oportunismo e de um fisiologismo profissional, o MDB não se separou totalmente... Em vez disso, seus membros resolveram criar o "P"MDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro) que continuou sendo um "saco de gatos", já sem os radicais de esquerda, sem Leonel Brizola e seu PDT (Partido Democrata Trabalhista. Ele tentou recriar o PTB, Partido Trabalhista Brasileiro, de Getúlio Vargas, mas não me lembro agora porque não conseguiu, acho que foi algo como uma divergência com a filha do ex-presidente).

3) Na primeira eleição direta para governadores, o PMDB praticamente ganhou o país. Foram, se não me falha a memória, quase 20 governadores nos, então 23 estados do país (Roraima, Rondônia e Amapá eram territórios e não existia Tocantins, Mato Grosso não estava dividido. Aliás, essa coisa de criar estados vale um post, Sarney usou o  "emancipado" Amapá  para poder se eleger, deixando espaço no seu quintal, o Maranhão para outros membros da quadr... digo, da família). Ao chegar ao poder, o que aconteceu com o PMDB?... Simplesmente rachou! Não poderia ser diferente. Ainda tentavam conviver correntes de pensamento muito diferentes, ou melhor dizendo, todo mundo queria puxar a sardinha do comando do país para sua brasa... Quem ganhou a briga? O grupo representado por Sarney, Calheiros, Maciel, Barbalho e tantos outros nomes de moral irretocável (porque não adianta tentar retocar, né?) da política nacional.

Este grupo está no poder até hoje, utilizando o nome do MDB, um grupo que representa o que de mais retrógrado existe na política e no relacionamento com a coisa pública... Ergo, uma excrecência...

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Ufanismo ou "viralatismo"

Em minha modesta opinião, os principais problemas do Brasil são o "paradoxismo" e o "radicalismo".
Eu cresci na época da ditadura, meu pai, apesar de jornalista e esclarecido, encarnava o melhor espírito "macartista". Cresci ouvindo que "comunista é bandido" e expressões semelhantes.
Na minha infância, aprendi "na marra" a gostar do país. Eu dormia ao som do hino nacional (porque eu gostava!!) e, com efeito,  aos cinco anos já o cantava melhor do que um adulto.
Chorei muito, várias vezes,  de emoção, ao ver nossa bandeira tremulando e nosso hino sendo executado em eventos esportivos mundo afora.
Acho (e digo isso para todo mundo, sendo até ridicularizado por muitos) que os brasileiros somos o povo mais inteligente do mundo (os indianos talvez estejam no nosso nível)...
Acho que o Rio de Janeiro é indiscutível, indubitável e inapelavelmente a cidade mais bonita do planeta, que o Brasil é o país mais bonito do mundo, com mais recursos e que tem tudo para ser "a" grande potência mundial...
Tudo menos... o povo (todo, eu e você que está lendo, se morar no Brasil, inclusive). Mas! Espera! Eu acabei de dizer que somos o povo mais inteligente do mundo...
Esse é um dos paradoxos... Acho que terei de cursar psicologia,  sociologia e história (por mim mesmo, porque não dá para confiar na opinião de ninguém) para poder algum dia conseguir explicar o que penso... O problema do povo é que esta inteligência é utilizada "para o mal".
Concordo, em boa parte, com a  sra. Priscila Silva, quando ela diz que, ao falar mal do país, estamos falando mal de nós mesmos. Mas discordo frontalmente de argumentos como "todos os gringos querem morar aqui" ou "o resto do mundo tem os mesmos problemas".
Senão vejamos:
1) os gringos querem morar aqui, justamente por causa de nossa mentalidade colonizada. Aqui, qualquer estrangeiro, de qualquer país, é tratado como rei. Há muitos anos, fui convidado para uma palestra sobre RH a ser ministrada por um "diretor de alguma coisa" de Gana. Eu, gentilmente declinei do convite e indaguei de quem me convidava "o que um profissional de Gana (com todo respeito a Gana) tem a acrescentar para mim em termos de RH?". Outro exemplo, meu pai tinha um amigo uruguaio que morava no Brasil havia mais de trinta anos e ainda mantinha seu fortíssimo (fortíssimo!!) sotaque. Perguntado, por meu pai, sobre o porquê dele não ter perdido o sotaque após trinta anos, ele respondeu solenemente: "Porque com esse sotaque sou mais bem tratado do que se eu fosse um brasileiro comum". Pergunte-se aos brasileiros que estão lá fora, estabelecidos, se querem voltar por motivo diferente da saudade da família e dos amigos e (talvez) da nossa comida. Todos os que eu conheço não querem! Sentem falta da comida e tal, da paisagem, mas não voltam de jeito nenhum...
2) há problemas em outras partes do mundo. Sim, os EEUU tem um péssimo sistema de saúde... comparado a que padrão? Ao nosso padrão "teórico", eu suponho, ou ao padrão que "eles gostariam de ter". Aqui, ainda cabe um parêntese: (nossos profissionais de saúde pública, os sérios, são excepcionais, em função da nossa inteligência, aliada à total falta de condições). Há corrupção na Suíça ou na Dinamarca? Lógico que há, mas a corrupção lá não inviabiliza nem encarece os negócios do Estado. Neste ponto, não há PT ou PSDB ou PQP que vá mudar isso, enquanto não trocarmos quem "verdadeiramente está no poder", já falei sobre isso em vários lugares e, qualquer dia, volto a isso...
Há coisas que, de fato, só existem ou só acontecem no Brasil, que são impensáveis em outras partes do mundo, como o governo entregar a direção de uma agência reguladora de saúde a um ex-diretor de planos de saúde privados que declarou publicamente ser contra uma decisão do STF que obriga o reembolso ao SUS por parte dos planos de saúde, como as fraudes para a meia entrada (talvez existam lá fora, mas eu aposto que em muito menor número!!).
A corrupção aqui é tolerada e vem de berço. Saia pela rua e faça uma enquete: "O que você faria se fosse eleito para o legislativo ou executivo?". Se tivéssemos uma máquina de ler pensamentos, as respostas seriam (arrisco dizer, 95%) "eu iria me arrumar e arrumar minha família e meus amigos".
O governo não cria empregos e alimenta uma máquina de concursos públicos, jogando com a esperança do povo que (de novo, 85%) não quer trabalhar. Quer estabilidade para poder faltar, ter um negócio próprio e vários feriados e folgas no ano.
Arrisco dizer que todos nós (ao menos uma vez) pensamos em como seria ganhar na loteria e (novamente, arrisco, 80%) já jogou, nem que seja uma vez. O que é a Loteria senão uma forma de concentrar renda e de lavar dinheiro sujo? (Ou alguém tem a inocente crença de que os prêmios da loteria são genuinamente pagos "por sorteio"?).
Somos paradoxais, porque somos hedonistas (internamente) e solícitos (para os estrangeiros, mas não porque somos "bonzinhos", antes porque achamos que vamos "nos dar bem").
Eu gostaria de poder bater no peito e dizer que "amo meu país", mas isso não é verdade, assumo a minha responsabilidade pela m... (com o perdão da palavra, mas não vejo outra) que está aí. Eu tento influenciar meus filhos, as pessoas à minha volta e meus alunos. Tento conscientizá-los para serem cidadãos respeitadores das leis... Mas... que leis nós temos? Um país onde "lei não pega" (isto é impensável em qualquer outro país!). Um país onde quem faz as leis, serve a interesses escusos (claro, isso há em todo o mundo, vale outro post, mas aconselho que leiam Milton Santos e que assistam Zeitgeist - Addendum ou mesmo à série canadense Continuum e que pensem em quem "realmente está no governo").
Falar em "resolver nas urnas" é um disfarce tosco para a preguiça. Quase uma falácia. Nossas urnas são tão confiáveis quanto um papel de pão escrito à lápis. Eu não vejo opção nas urnas,  supondo que elas sejam confiáveis.  Não acredito em nenhum dos candidatos que tenho para escolher. Rigorosamente nenhum.
Somos um país que ainda está sociologicamente falando (que me perdoem os sociólogos), na Idade Média. Somos feudalistas. Nossa Classe Média (alta) pensa que é elite, nós talvez sejamos o único país do mundo onde há "povo e povão" (e povinho!), temos um forte viés religioso nos pontos de vista da nossa sociedade (e isso é algo que vale outro post, mas nossa inteligência faz com que a religião aqui tenha um comportamento todo especial, embora os evangélicos venham tentando - e paulatinamente conseguindo - radicalizar o discurso intolerante do radicalismo religioso, para nossa sorte, radicalismo é algo que "não pega muito" por aqui. Quer dizer, temos radicais, mas nem tanto, isto é, somos radicais quando nos convém. O radicalismo aqui funciona mais ou menos assim: Quando "minha turma" está no poder, o país é ótimo, quando "outra turma" está lá, o país está à beira do colapso). O Brasil, na verdade só tem Nobres e Pobres e os que pensam que são uma coisa e são outra. Quem é inteligente, é da Classe Média (de verdade) não tem lugar aqui, vai embora e não volta. Maquiavel ficaria maluco se conhecesse o Brasil. Teria que reescrever o príncipe, porque aqui, qualquer menino de 5 anos é melhor estrategista político do que ele!
Vou contar uma piada que muitos devem conhecer, mas que define bem nosso país. (e tem religião na piada!).
Conta-se que Jojô e Gabi (desculpem a intimidade, Jeová e Gabriel) conversavam durante a criação do mundo. Gabriel olhou para a Terra e perguntou: "Senhor,  que país é aquele? Não tem terremotos, não tem maremotos, tem quase todos os tipos de solo, de minerais, diversidade de relevo e (minha adaptação à piada) vejo que o senhor pretende colocar pessoas inteligentes lá. Isso não é justo, Senhor, este país dominará o mundo, será uma superpotência..." e Jeová respondeu "Calma, meu filho, você vai ver o povinho que vai governar aquilo lá...".
Não me sinto viralata nem ufanista..
Eu sou brasileiro. Acreditem, eu chorei ao ler a carta da independência e ao descrever a cena às margens plácidas do Ipiranga, para minha amiga inglesa, quando fomos ao museu imperial em Petrópolis. Eu acredito que somos capazes de nos tornar uma potência mundial, mas não acho que eu seja capaz de participar disso... Se eu estiver vivo quando isso acontecer, espero que me recebam bem na minha volta...

terça-feira, 29 de abril de 2014

Mais de amor e sexo

Não se junte apenas por amor
Nem tampouco somente ppr sexo
Eu sei, isso já nos disse o Jabor,
Não é um, o outro. É complexo

Muitos interpretam mal o ardor
O calor que dá dentro do plexo
Misturam emoções com o torpor
E embarcam na relação sem nexo

Só amor, fica faltando um naco,
Apenas sexo, enche é o saco
Os que só tem um são incompletos

Se alegram e se sentem repletos,
Mas choram de sofrimento depois
Sou muito feliz porque tenho os dois