by Ginnungagap

Afirmar é não negar, mas não negar não é afirmar!! O contrário também é verdadeiro.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Dom Pança

"Só há um jeito de caberem 7 bilhões de líderes no planeta. É sendo, cada um,  líder de si próprio". Com essa frase, eu encerro uma de minhas palestras para professores. Falo sobre "Rompendo Paradigmas na Educação"...
Anyway, feito o meu comercial, não foi a palestra que me trouxe a este post.

Ontem, coloquei esta frase no meu Facebook e obtive respostas interessantes. Ei-las:

"Infelizmente o ser humano foi projetado para, estatisticamente, não ser o líder do bando, mas sim seguir um líder..." - Bruno;   
"Mas e a vaidade de mandar em alguém, onde fica????" - Cris; 
"Anarquia !" - Victor;  
"BBooooA" - Hyago;   
"Adorei !" - Andressa;    
"Não é tão fácil ser líder de si próprio. Somos movidos por sentimentos e emoções. Acredito que devemos nos submeter a uma liderança mas ñ abrir mão da nossa reflexão." - Renata.

Bom, à Andressa e ao Hyago, agradeço pela força. 

Minha querida irmã Cris, é fato... Nada impede que controlando a nós mesmo sejamos mordidos pelo bichinho da vaidade, mas... aí... já não mais nos controlaremos, não é? A vaidade é como uma isca jogada a um peixe, não importa o tamanho, pode ser uma tainha ou um tubarão. Uma vez que o peixe morde a isca, pode demorar, ele pode "espernear", mas nós o levamos para onde quisermos. De qualquer forma, "Controle seu destino, ou alguém o fará!"

Renata, como vou explicar mais abaixo, não tenho problemas em me submeter a uma outra liderança, mas tem que ser uma liderança de verdade. Não vale ser "representante do super-hiper-mega-ultra-líder-do-universo", com todo o respeito.

Ao Victor, digo que "o buraco é mais embaixo", qualquer dia, podemos discutir sobre o realmente é "Anarquia" e, se ele tem essa consciência, eu fico muito feliz. Ser líder de si mesmo, não quer dizer que devemos ignorar tudo à nossa volta e criar um mundo próprio... muito, muito pelo contrário.

Ao mano Centauri, digo que Ted Turner tem uma frase: "Lidere, siga ou saia do caminho". Acho-a bastante pertinente, o problema é que, se extrapolamos esse conceito para "o mundo", o que seria "sair do caminho"?

Costumo dizer que não há necessidade de líderes, apenas de coordenadores ("CO"!!). Aí, Victor!

Morei num lugar onde dizem que só existem dois tipos de pessoas "as que mandam e as que obedecem". Seguindo essa lógica,  lá eu não existo, porque não suporto obedecer e, igualmente, não suporto mandar, mas... se sou forçado a escolher um... lógico que vou preferir mandar. 

Digo sempre que não tenho problema em ser o "Sancho Pança" (viu, Renata?), mas o Don Quixote tem que ser "bom para ca!#$!#@$ramba". (isso explica também o título do post).

O nosso problema hoje é que todo mundo quer ser líder e ninguém sabe ser liderado!! As pessoas de um modo geral, no trabalho ou em associações ou em qualquer "grupinho", reconhecem apenas três tipos de líderes: 

            - O "tirano", aí fazem tudo porque tem medo dele; 
            - o "babá", aí fazem tudo porque ele é bonzinho toma conta e fica lembrando toda hora o que tem que ser feito e 
            - o "bobão", aí ninguém faz nada porque sabe que ele vai "lá" e vai fazer. 

Agora, ninguém tem consciência de "fazer o que precisa ser feito" espontaneamente, confiando que o líder (COordenador) é só alguém que tem uma visão mais completa do que a sua, já que você está ocupado olhando apenas para o que você tem que fazer.
Não acredito que tenhamos sido projetados para seguir a um líder, os bandos foram projetados para terem líderes temporários e nós vivemos em bando. Acho que a melhor analogia que podemos retirar do mundo animal são os gansos voando em "V". Melhor exemplo de liderança, revezamento, consciência de grupo. Precisamos seguir, do mesmo modo que precisamos guiar.

Anyway. Há muito o que se falar sobre liderança. De fato, há muito material sobre o assunto, ainda escreverei outros posts também...
Termino, citando a majestosa "Dama de Ferro" que conduziu a Bretanha por mais de uma década, Mrs. Margareth Tatcher: Ser líder é como ser uma dama. Se você tem que ficar lembrando aos outros que é, é porque você não é!

Blessed be.
Ginnungagap

domingo, 19 de junho de 2011

Turma particular...

Que o Brasil é um país sui generis todo mundo sabe. A inteligência do povo, provavelmente fruto da salada genética que nos constitui, aliada à falta de cultura e à falta de companheirismo do povo produz situações que são, para dizer o mínimo surreais. (sim, somos um povo "solidário", mas não somos "companheiros", não somos "irmãos", nossa caridade paternalista será alvo de outro post futuramente! Mas esse já é um primeiro paradoxo).

Aqui, tudo é e não é, ou melhor, é mas não é. Tudo é feito "para inglês ver", embora os ingleses já não sejam os patrões há muito tempo.

Tim Maia resumia-nos de forma um tanto chula, mas sociologicamente bastante acurada: "Este país não pode dar certo. Aqui prostituta se apaixona, cafetão tem ciúme e traficante se vicia". Eu sempre disse que o país é o "paraíso dos sociólogos" até que um chegou ao poder e de uma só tacada, transformou esquerda em direita radical, instituiu um "parlamentarismo de fato" e, vaidoso ferido, apoiou e apoia seu inimigo político contra seu próprio partido, porque este partido não permite que seu predileto seja candidato.

O "jeitinho brasilieiro" é uma "arma" poderosa e que atira pela culatra quando o alvo é o desenvolvimento da nação. A corrupção é endêmica e vem de berço, subornamos nossos filhos, subornamos as entidades que veneramos (ou você paga sua promessa antes de receber a graça?), não temos medo de macumba porque temos "o corpo fechado" ou "não acreditamos" mas "respeitamos" (essa é ótima!!), vivemos sob o lema de que "a lei é feita para ser quebrada" ou sob "leis que não pegam".

Nosso governo, que não caiu aqui vindo de Alfa-Centauro, usa a lei como prerrogativa para coibir reclamações. "Aos amigos tudo, aos inimigos a lei"... Que país é este? Este é o Brasil. Eu ainda vou escrever muita coisa sobre isso... What can I do? Life is a bitch.

Anyway, filosofia e "papo batido" à parte, o que me trouxe a escrever estas poucas linhas foi uma conversa que tive dia desses com uma amiga de trabalho.

Sabando que sou professor e que me interesso por pedagogia, ela buscou conselho sobre o que fazer pois seu filho, mesmo estando na "explicadora", não havia conseguido boas notas. Eu sugeri que ela interpelasse a explicadora e que, no próximo bimestre, não havendo melhora no resultado, que trocasse de explicadora.

Foi quando que ela me deu um dado muito importante para o contexto, seu filho não ia muito bem com a explicadora porque ela não tinha tempo para ele... Isso mesmo, meus poucos amigos leitores, vou repetir: A explicadora, particular, não tinha tempo para seu aluno!! Como isso é possível? Perguntarão alguns.

Simples, como todos os "espertos" que povoam e prejudicam esta bagaça deste país, a explicadora em questão, uma senhora, não dava aulas particulares "apenas" para o filho da minha amiga de trabalho e sim, para uma uma turma(!!!) de quinze (!!!) alunos.

Evidentemente sugeri a minha amiga imediatamente tirasse seu filho dessa ... (segunda escola!!).

Vejam o que faz a necessidade de uma senhora que não pode se aposentar, porque vai morrer de fome e andar pelada: ludibria quinze famílias (quer dizer, não quinze, porque para algumas crianças ela aparentemente dá aula). Isso, assumindo que ela não age conscientemente de má fé.

Esse é um exemplo, a senhora se defende como pode, enganando trouxas e provavelmente ainda acha que tem o direito porque precisa comer...

Não sei se esta senhora vai ler este post, não tenho o direito de julgá-la porque ela é tão vítima da própria falta de educação e necessidades básicas quanto culpada pelas atitudes de moral questionável. Mas, se ela ler o post que se conscientize de que o que faz não é certo, prejudica pessoas para viver. Que ela então se candidate e vá fazer isso no lugar certo, no Congresso ou no Executivo pelo menos lá ninguém vai confiar a ela a educação do filho.

Blessed be.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Religiência. E o verbo era "Bang".


Quero começar dizendo o que sempre digo, que ciência e religião não são excludentes e antagônicas. Com efeito, acredito que o estudo da natureza, a observação e medição, análise e descrição de fenômenos sejam tão religiosos quanto uma oração. Outra coisa que sempre digo é que não aceito a antropomorfização do universo, a humanização da existência. Ultraja-me essa limitação cognitiva que nos impele a utilizarmos a nós mesmos como parâmetro para qualquer estudo, o que fez com que o homem primitivo desse "olhinhos, nariz e boca" ao Sol e que, num dia nublado, caísse de joelhos pedindo a esse Deus que não o abandonasse, a mesma ridícula analogia que descreve "formigas ciumentas" e "orquídeas vaidosas" em nossos documentários. Do mesmo modo, não aceito um Deus "zangadinho" porque alguém não falou corretamente sobre ele. (Sobre as relações entre o comportamento e universo, cabe escrever outro post).

Isto posto quero deixar clara minha posição de que "não sei" explicar metade (sendo otimista) das coisas com as quais convivo, sequer chego a observá-las. Acredito, todavia, que pode haver uma explicação para "tudo" e que talvez ela seja até bem simples. O que não aceito é a posição radical de religiosos e cientistas (ateus) de que ou as coisas são "obras de Deus" (pura e simplesmente, assim: O "almighty" acordou constipado e resolveu destruir um vilarejo na costa do Sudão, por quê? Sei lá, porque ele quis ou, pior: Simples, porque eles não acreditavam nele como nós acreditamos.) ou são "por acaso" (tudo o que eu não sei explicar acontece por "coincidência". Ah, eu peguei o ônibus errado e encontrei nele o amor da minha vida, mas foi "por acaso")... Vão todos esses, ateus radicais e religiosos radicais praticar intercurso consigo próprios. (No ofense). Aceito tranquilamente a idéia de que "coisas acontecem e estão além da minha capacidade de compreensão" e que para serem válidas não necessariamente devem acontecer todas as vezes em que eu reproduzir as mesmas condições.

Um dia, quem sabe compreenderemos. A religião descreve a iluminação, o Nirvana, o "arrebatamento", a "re-ligação" com o sagrado do qual nos desprendemos (e eu não sei o porquê!!). Acho que isso pode acontecer individual ou coletivamente ("se dois ou mais se reunirem em meu nome, mais forte a minha presença!" God Almighty, minha livre reprodução.). Creio que com o nível de vida e com as "amarras" que nos impomos hoje em dia a primeira opção seja improvável, mas ainda acredito na segunda opção (no dia em que deixar de acreditar, mato-me, sem o menor resquício de dúvida). Por acreditar nisso, estou sempre pronto a me "abrir", a me "entregar" em meus relacionamentos com outros seres humanos (não acho que um cão vá me ajudar em minha iluminação, mas "seu" Francisco deve ter descoberto "alguma coisa"...). Anyway, essa questão do relacionamento também é para outro post...

Hoje há muitos cientistas tentando "provar" a ineficácia ou, ao contrário, a "acurácia" da religião e muitos religiosos tentando se apoiar na ciência para "autenticar" seus dogmas. Eu não vou aqui tentar reescrever o que brilhantemente o fez Frijof Capra em "O Tao da Física". A incursão da ciência no mundo subatômico já mostrou que em diversos momentos fé e axiomas se misturam, sem prejuízo do valor de um ou de outro.

A sociedade bipolar ocidental, como sempre digo, atrapalha-se cada vez que tenta separar religião de ciência e de filosofia. Eu tive um muito brilhante professor de física na faculdade que tentou "ser imparcial" (grande Ildeu, umas das mentes mais bem dotadas que eu tive o privilégio de conhecer). Ele disse: "Os antigos acreditavam que havia um anjinho por trás da Lua, impedindo-a de se afastar da Terra. A ciência não se preocupa com isso. A questão é: Se houver o anjinho ele vai fazer uma força F=ma." ... Muito legal o Ildeu. Gostaria que todos os cientistas fossem assim e reconhecessem a sua limitação. O que enxergam é um “recorte da realidade” não ela toda.

Foi ele quem me inspirou a formular a frase que, eventualmente repito para meus amigos "E o verbo era bang". Acho que os livros religiosos foram os primeiros livros de ciência. Até que alguém o "pai da epistemologia" descobriu que alguma coisa só poderia ser válida se repetida a exaustão sempre que sob as mesmas condições e se seguissem convenções e regras que alguém primeiro determinou. Ora, lamba-se sabão, como podemos garantir que a distribuição de componentes do ar à nossa volta é constante? Então não podemos afirmar que sempre repetimos as mesmas condições. E não podemos afirmar, no longo prazo que obtivemos o mesmo resultado. E mais, quem dá a alguém o direito de definir e limitar à sua compreensão um determinado "naco" da realidade só porque foi quem primeiro olhou para este naco?

Eu sempre discuti com meu pai que morreu religioso evangélico cristão radical que se aprendemos a "ler" a relação entre os astros e nosso "possível" comportamento, quem disse que não é "a vontade de Deus"? Por que não é Deus quem nos dá a habilidade de recriar outro ser humano? Se alguém "lá no céu" vai ter que soltar mais um pum e preencher uma nova alma, problema, a gente aqui está produzindo, que produzam lá também... Os astrônomos vivem tentando "desmascarar" os astrólogos, mas não reconhecem que foi na arte da adivinhação pelos astros que surgiu a sua ciência... Plutão não é mais planeta, o céu não tem mais a mesma posição... Balela... apenas formas de desacreditar desafetos.

Tenho a convicção de que Deus (qualquer um antropomórfico) foi uma invenção para "controlar massas". Como dizer a um camponês da idade média que um "ser microscópico" vai comer o seu dente se você não o limpar? Como convencê-lo a ficar com fome para repartir a comida com outro? Como separá-lo de seus instintos básicos? Simples: Deus mandou! Na mesma linha de raciocínio, as analogias bíblicas também objetivavam (lembre-se a Bíblia foi escrita há pouco menos de 2000 anos para pessoas totalmente ignorantes!) explicar assuntos inexplicavelmente complexos a pessoas que mal enxergavam além de seu próprio umbigo. Mais ou menos como nós hoje em dia, o problema é que, com cultura, fazemos nosso umbigo ser o centro do Universo com fundamentação acadêmica. Como explicar a um camponês 7 (sete) "eras geológicas" de formação da terra desde que era uma nuvem de matéria esparsa no espaço? "Meu filho, foram 7 dias..." mais adiante, decifra-se o código, "para Deus, um trocentilhão de anos e um segundo são a lesma lerda!!" (Again, God Almighty, minha interpretação)...

Cabe explicar aos religiosos que pelo fato de que alguns relatos bíblicos estejam corretos, a interpretação ou, antes, o contexto que se lhes dá nas escrituras não necessariamente estarão. Vá lá, encontraram resquícios de um barco no Monte Sinai (ou sei lá qual outro monte) isso não torna "magicamente" correta e acurada a história do dilúvio. "Ah, mas tinha fóssil de cocô de vários bichos perto...", "Ufa, então está tudo bem. Ficou certo agora!". Sei lá, um maluco resolveu construir um zoológico e foi buscar seus bichos de barco (o primeiro biocontrabandista da história), alguém viu e... "Caraca! Deus vai inundar o mundo!!"... Então, amigos evangélicos, não me venham com esse papo de "a ciência comprova a bíblia", eu não tenho uma fazenda na qual exista gado com problema de insônia.

Muitas coisas nós simplesmente não sabemos e (que fique entre nós) simplesmente não saberemos in this lifetime. "Tudo o que sei é que nada sei." é a coisa mais inteligente que já escutei em relação à existência. Se aceitarmos viver com isso, talvez consigamos, algum dia evoluir de verdade.

Blessed be.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Mercenários sem direção...

Nunca deixamos a escravidão. O Brasil sempre teve como "marca registrada" a relação incestuosa entre povo e elite com a Classe Média espremida no meio servindo de preservativo para essa orgia desenfreada.

Sempre fomos o país do atravessador, do explorador. Agora, mais do que nunca isso está de volta. Há alguns anos, aprovou-se uma lei segundo a qual governos não podem gastar mais do X % (acho que 60%) de seu PIB com folha de pagamento. Como todas as leis que "precisam pegar" aqui nesse país, esta também foi "devidamente driblada" (a analogia como futebol é mais do que cabível aqui!).

Em vez de reduzirem suas folhas inchadas, os governos das três esferas descobriram um novo meio de contratar pessoal: a terceirização. Assim, uma prefeitura ou governo, não contrata funcionários, mas contrata uma única empresa que lhe "presta um serviço" ao qual está "agregada" a mão-de-obra. Et voi lá: Voltamos aos "mercadores de escravos".

A "teta" é tão boa que até as empresas privadas (grandes conglomerados) resolveram deleitar-se nela. Pessoas viraram "recursos" e são trocadas como se troca um computador com defeito. Sem preocupação com direitos trabalhistas, com mudanças de humor ou qualquer outra característica humana.

Os terceirizados por sua vez, viraram uma categoria à parte. Mercenários, para não dizer prostitutas (com todo respeito às mães dos deputados), correndo atrás do maior salário, sem compromisso com quem assina sua carteira ou com a empresa para a qual verdadeiramente trabalham. Não têm confraternização de fim-de-ano, não têm sindicato (o efeito dos que existem é o mesmo que não existir) não tem motivação... Já ouvi a pérola dita por um suposto administrador de que "motivação é ter emprego!".

Há empresas públicas em que as pessoas trabalham há anos trocando periodicamente de empregador, ao sabor dos vencimentos dos contratos. Para alguns isso é o "crème de la crème" dos empregos, afinal, recebe-se o FGTS a cada período...

As pessoas não querem trabalhar. Pergunte a seus amigos "O que você faria se ganhasse na loteria?"... "Ah, eu nunca mais ia trabalhar na minha vida!!"... Como pode um país com esse tipo de mentalidade ir à frente? Não me julgo melhor do que ninguém (isso vai valer outro post), mas acho que cabe fazermos a reflexão. (Vai ficar para outro post também a relação dos bancos com o poder e com a produção! Aliás, vou fazer uma série de posts sobre os bancos, é de "fazer vomitar").

As pessoas verdadeiramente qualificadas acabam por conseguir emprego "de verdade"  e os outros vão por aí, mendigando espaço e torcendo por uma chance de estar no lugar certo, na hora certa. (No meio do trilho quando o metrô vem chegando, por exemplo).

O pior é que com a educação sucateada, um diploma hoje se ganha na padaria, como brinde na compra do pãozinho, o futuro não é animador, o ciclo vai sendo alimentado com pessoas cada vez mais querendo "se encostar" no estado, que ganha dinheiro aos borbotões explorando o desemprego que ele mesmo causa através de concursos que não vão contratar 1/100 das pessoas que pagaram a inscrição...

Aliás, acho que você só deveria pagar a inscrição num concurso, depois de aprovado. O governo não deveria poder cobrar por dar oportunidade de emprego às pessoas a quem ele deveria dar educação e emprego.

Anyway. Ainda assim, sou otimista. Acredito que vou conseguir ajudar meus filhos a "cavarem" seu lugar à sombra (porque o sol é para todos, né?), acredito que vou ajudar meus alunos a serem pessoas e profissionais qualificados, para, quem sabe, um dia quando eu não estiver mais vivo, daqui a algumas gerações, a gente poder "bater no peito" e dizer com a boca cheia: "Ainda bem que eu saí do Brasil e estou aqui na Europa!".

Blessed be...

Ok... às vezes ou sutil demais... Muitos podem não entender que a "frase final" foi um "truque com as palavras". Quis dizer que o Brasil vai deixar de ser o Brasil e vai "virar" Europa...


Anyway...

Again: Blessed Be.


No more Mr. Nice Guy e a pílula vermelha.

Hi, there friends.

Antes de começar este post, preciso falar de House, para quem não o conhece. House é o nome de um desses "enlatados" que pululam na TV a cabo, um dos bons, também o nome do protagonista da série, um médico amargurado, mas brilhante, capaz de diagnosticar as mais insólitas doenças utilizando as mais insólitas técnicas. Ele zomba de sua equipe e de seus superiores, não liga (aparentemente) para os pacientes... Esse é House, interpretado brilhantemente por Hugh Laurie (ele mesmo! O pai de Stewart Little).

Anyway, na 4ª temporada, o 13º episódio chama-se "No more Mr. Nice Guy". Fala sobre um sujeito que namora uma das enfermeiras do hospital onde House trabalha. Esse sujeito é extremamente bom, um verdadeiro Ghandi, sempre vê o lado bom de tudo. O tipo de pessoa que não existe. Para se ter um exemplo, no começo do filme, os enfermeiros estão em greve, um courier vai passar pelo meio da manifestação e a namorada de Mr. Nice diz "temos o direito de impedi-lo por 15 segundos", o cara joga seu carrinho em cima da mulher com agressividade... como Mr. Nice reage? Ele diz "respire" e abraça o cara!! Nesse momento ele tem um desmaio. House o encontra na enfermaria que está em total caos por causa da greve. O cara está lá, quase o dia inteiro (duas refeições à sua frente indicam isto), sorrindo para todos e sem vontade de reclamar...

House não aceita isso, cisma que a amabilidade (niceness) de Mr. Nice é um sintoma de uma doença. Ao final (siiim, vou ser spoiler!), House estava correto. Mr. Nice tinha doença de Chagas incubada por anos, mas lentamente inchando seu cérebro, o que alterou sua personalidade. Ao longo do filme discute-se o que forma o caráter de uma pessoa, uma frase da namorada enfermeira é muito boa "Você está dizendo que eu estive casada por 11 anos com um sintoma?"... Vale a pena ver o episódio (não sei postar vídeo aqui no blog, mas baixe "por aí" (http://www.seriesfree.biz/2009/03/house-md/))...

O episódio termina  com Mr. Nice Guy descobrindo que não gosta mais de Ketchup e pergunta a uma intrigada namorada "Do que será mais que eu não gosto?".

Mr. Nice é obrigado a tomar a pílula vermelha que Neo pode escolher (ahhh, não vou perder tempo resumindo Matrix), aquela que o levou a conhecer a Verdade.

Ultimamente, venho passando por (mais uma) de minhas "teen ager crisis"e um amigo (é Agnaldo, você é mais meu amigo do que se possa imaginar!!) vem fornecendo insights sensacionais sobre o que acontece comigo, muito psicólogo não conseguiria ver o que ele vê. No último e-mail que ele me mandou respondendo às minhas reclamações sobre o mercado de trabalho e a profissão e as pessoas em si (isso vai valer outro post), ele fala do mal que nos fez ter tomado a pílula vermelha, de como seria bom termos tomado a azul e ficado no mundo da ignorância (que é uma bênção ou, segundo o Paramore, "sua melhor amiga").

Aí vem a reflexão de hoje: Do que me têm servido vinte anos de estudo de misticismo e sociologia e psicologia e antropologia e outras "ogias" (sem "r", infelizmente)? De que vale saber o que não sei ou enxergar onde poderia (ou posso) chegar em contraposição a onde estou? É angustiante, é agoniante é... entediante... Ver como as pessoas são, prever como serão, espantar-se apenas com quão baixo podem chegar... O pior é saber o que fazer, mas não conseguir fazer...

Aqui entra "Mr. Nice Guy", ele pelo menos não sabia que estava sendo bonzinho com quem não merecia sua bondade... Eu não tenho essa escolha. Eu só aprendo que devo desconfiar das pessoas depois que sou traído... como um idiota que insiste no erro, pior que o idiota, porque ele insiste sem entender que está errando. Será que tenho doença de Chagas? (Sífilis eu não tenho porque sou doador de sangue, hehe).

Mas não pensem que não tenho esperança, outro dia, na escola em que dou aula, uma carteira com dinheiro foi entregue à coordenação e finalmente ao seu verdadeiro dono. Um oásis de educação, cortesia, companheirismo, cidadania,  num deserto de... nem caberiam aqui as palavras.

Anyway, tudo isso foi para recomendar que assistam ao episódio e para desabafar um pouco sobre a dureza que é "enxergar" o que não era para enxergar...

Por enquanto, acho que vou continuar sendo Mr. Nice Guy, mas como diria o filósofo Chapolin Colorado, não "abusem de minha nobreza"...

Blessed be.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Poesia para variar...



Perdi meu interesse nas pessoas,
Não consigo mais ver o sagrado na alma humana, 
Pode ser pretensão, megalomania, sociopatia, 
No fim das contas, quem diria?
Acredito que toda mente é insana,
Não me convenço de que há boas.

Somos bolhas na escuridão, reflexos,
Vermes controlando organismos complexos, 
Crianças com uma fazenda de formigas, 
Pessoas fingindo achar que são amigas, 
Poços de hedonismo moldados pela ganância 
Encharcados com a própria ignorância

Perdidos tentando sair da infância,
Iludimos, traímos, cuspimos e pisamos pela ânsia 
De um equilíbrio que desconhecemos.
Algo que mesmo buscando nunca teremos
No fundo só há o nada, o abismo,
Não serve de nada o idealismo.

As mensagens estão aí e não as enxergamos, 
A saída está na nossa cara,  mas não notamos, 
As mãos estão estendidas, mas não as juntamos, 
Quanto mais caímos, quanto mais afundamos, 
Mais não sentimos e mais nos golpeamos.
E, sem saber para onde, caminhando nós vamos...

“I feel it right now”.

Cabe fazer uma observação antes: O exageiro é uma ferramenta do poeta e do adolescente.

Blessed be
Ginnungagap

quinta-feira, 24 de março de 2011

Que droga...? ... ¿

Noutro dia, eu e meu filho caçula vimos alguém que não esperávamos ver, fumando. Diante do espanto dele, comentei naturalmente: Filho, as pessoas precisam se drogar e as únicas drogas que temos disponíveis são álcool e tabaco... Ele me perguntou: "Pai, qual é a sua droga?"... Bem, se morássemos na Holanda, minha resposta poderia ser diferente (risos), mas eu respondi: Minha droga é a música... Meu mundo se transforma quando ouço boa música (boa para mim!! nem sempre boa para todos!!)... É isso, agora mesmo me encanto com baladinhas francesas, Jenifer, Rose, Camile, Vita, Helene Sègara, Romane Serda, Tina Arena, Shy'm e, hoje descobri, Zaho... Muito bom... muito bom... (som água com açúcar, "bobinho", mas... Muito bom!!). É isso... há tempo que não posto nada... então resolvi escrever um pouco ... Em breve termino meu "pulp", esse ano ainda... não vou estragar a surpresa... :)... Seguem  dois "textículos", duas poesias, de que gosto muito falando do meu sentimento pela música...

Eu pensava ter inveja dos cantores... É ! ...
Afinal, um monte de pessoas gasta um monte de dinheiro e tempo e sentimento até, para ouvir um cantor.
Eu sempre tive raiva, porque as minhas namoradas se "esqueciam" de mim, ao ouvir esse ou aquele cantor.
É claro, eu também admiro (admirei e admirarei) vários cantores (sempre achando que os invejava...)
Talvez, porque eu sempre quis ser um cantor, um compositor, um instrumentista. O meu ego tem uma voz linda, mais bonita de que qualquer cantor.
Por isso, talvez, até hoje eu tenha pensado invejar os cantores. ("Eles são reconhecidos; o mundo pára para eles e eu... as pessoas conversam enquanto eu canto !")
Tudo bem, sou um pouco tímido, egoísta. Adoro cantar sozinho, longe de tudo e de todos...
Mas, agora, ao som de Jean Michel Jarre, descobri que não invejo o Milton, o Oswaldo, o Chico, o Caetano, a Gal, o Mongol, a Simone, Vangelis, Bethoven, Noca da Portela...
descobri que o alvo da minha inveja é o som que sai dos seus dedos, bocas, poros; porque descobri que não quero ser cantor, violinista, violonista, tecladista, flautista... O que eu quero (ou queria) é ser uma música !
"Aos meus músicos prediletos."


Eu queria ser uma linha melódica de pensamento e vagar pelos ares como a brisa da primavera, aquecendo ouvidos que choram.
Eu queria ser um acorde que fizesse as pessoas baterem palmas, numa passeata de delírios.
Eu queria ser um ritmo forte que abalasse as estruturas de uma razão esclerosada.
Eu queria ser uma nota sol e brilhar no coração de quem ama.
Eu queria ser um compasso que desfizesse os círculos viciosos que envolvem cérebros desencontrados.
E, assim, num arranjo desarrumado, ser uma música, e soar ao vento vencendo velhos valores ainda vivos.
"Um toque"

Blessed be...