by Ginnungagap

Afirmar é não negar, mas não negar não é afirmar!! O contrário também é verdadeiro.

quarta-feira, 5 de junho de 2019

Biscoito ou bolacha?


Quero começar este artigo com uma pequena história que li há muitos anos como sendo da filosofia sufi e que não consegui encontrar, nem com o tio Google (achei uma parecida).

Certa vez, um grupo de homens se reuniu para encontrar a felicidade. Perto deles, estava o mestre do mal e um discípulo. O mestre do mal, então, disse ao discípulo: “Vamos levar estes homens à felicidade”. Assustado o discípulo perguntou: “Mas mestre, o que estes homens tem de especial para que o senhor os leve à felicidade”. “Nós descobriremos agora se eles têm”. Então, o mestre do mal pôs uma roupa metade verde, metade amarela e dirigiu-se ao grupo de homens, disposto a leva-los à felicidade. Aproximou-se e disse: “Eu sei o caminho para a felicidade, se quiserem alcança-la, basta me seguir”. Virou-se e começou a andar. Só que, quem o viu vestido de verde, passou a vê-lo de amarelo e vice-versa.  Os homens, então começaram a discutir se deveriam seguir o senhor de verde ou de amarelo e ficaram lá, parados, perdendo a chance de chegar à felicidade.

Essa história, para mim, resume muito bem nossa sociedade que vê, quase que exclusivamente, a forma e não o conteúdo. Houvessem os homens seguido o senhor, pouco importando a cor de sua roupa, teriam alcançado a felicidade.

Assim, dividimo-nos em negros e brancos, amarelos e vermelhos e todos os outros rótulos (gordos e magros, feios e belos, capazes e incapazes, a lista se estenderia por léguas), esquecendo-nos de que somos humanos, independentemente de nossas características. Afinal, podemos ser capazes para algumas coisas e incapazes para outras e assim por diante.

Entendo que esse tipo de visão onde a forma se sobrepõe ao conteúdo (quantas vezes, não ouvimos “você está certo(a), mas perdeu a razão pela forma como se expressou”?) faz com que discussões que poderiam ou deveriam ser meramente semânticas, acabem por se transformar em obstáculos ao bom senso e à boa convivência, muitas vezes, por má intenção de quem se envolve na discussão. É o que chamo de A semântica em desfavor do bom senso.

Afinal, o que são as palavras senão a forma daquilo que querem significar? Quantas palavras não têm (ou tiveram ao longo do tempo) seu significado alterado e até invertido. Quantas vezes, a ironia não se faz presente?

Vou falar aqui sobre exemplos polêmicos e sérios, de grande amplitude, nos quais, em minha visão, a semântica foi usada de forma ardilosa e até mal-intencionada para se atingir um objetivo ou vencer uma disputa. Três exemplos relacionados à inclusão e ao preconceito.

(Parêntese longo: Cabe observar que, às vezes, rótulos são criados e determinadas idéias ou projetos são abandonados ou jogados fora, sem que se entenda direito o que significavam. Um bom exemplo é o “kit gay”. Rótulo colado pela bancada evangélica num projeto de combate à homofobia e que foi um dos grandes pilares da eleição do atual presidente. Houve um material preparado para professores? Sim, houve. Só que não era e nunca foi objetivo do projeto levar conteúdo impróprio para crianças, mas o rótulo aliado ao livro “fake” carregado à tiracolo pelo então candidato e exibido em horário nobre em rede nacional, sem ser desmentido, levou milhões a acreditarem numa falácia! Fim do parêntese).

O primeiro exemplo vem de um um ótimo artigo de Neivia Justa, que li noutro dia onde, ela (e já vi muitas outras pessoas fazendo o mesmo) questiona e aponta como racista a expressão “a coisa está preta”. Então, nos comentários do artigo, pontuei que filosoficamente, utiliza-se, não raro, o contraste entre luz e trevas, entre claridade e escuridão, por exemplo, as trevas da ignorância em contraponto à luz do conhecimento. Por definição a cor do escuro é o preto e a cor do claro é o branco. Eu nunca fiz uma leitura racial da expressão “a coisa está preta” e suas variações. Penso que os negros merecem reparação histórica pelo que sofreram, penso que o racismo está longe de acabar, não só no Brasil como no mundo de uma forma geral, mas penso que enxergar no “preto” de “a coisa está preta” um demérito aos negros seja “forçar a barra”. Como resolvemos este dilema? É uma questão semântica apenas?

O segundo exemplo é o do “casamento gay”. Ora, eu sou defensor ferrenho da possibilidade da união entre pessoas do mesmo sexo, de que possam adquirir propriedades em conjunto sem que, na eventualidade da morte de uma das pessoas, sua família não venha tomar da outra todos os bens adquiridos em conjunto, porque estão no nome de quem faleceu. Pensemos, contudo, que: casamento é um sacramento “de propriedade” das religiões (como diria o palestrante Waldez Ludwig) “desde Adão e Eva”, daí que, brigar pelo “casamento gay” é, numa visão que penso ser bastante pertinente, brigar para que as religiões aceitem e abençoem esta união. Uma luta inglória. Não se pode exigir que uma religião altere seus dogmas (concordando-se com eles ou não). Por que não se utilizar uma expressão que seria menos polêmica como “União civil” ou “Parceria civil”? Entendo que seja má intenção daqueles que propositalmente querem criticar a religião (o que é um “tiro no pé”) ou dos que desejam criticar a própria união em si.

O último exemplo que quero citar é mais complicado, também relativo às pessoas LGBT, é a “cura gay”. Senão vejamos: “ser gay” não é uma doença (eu acredito nisso e defendo isso), por outro lado, eu entendo que ninguém pode impedir (minha opinião!!) um psicanalista (psicólogo, psiquiatra) de ajudar alguém que, não nos interessa por qual motivo, queira deixar de ter sentimentos e desejos homossexuais tampouco se pode impedir uma pessoa de pedir este tipo de auxílio.  O rótulo “cura” leva à implicação semântica da oposição à doença e, por isso, gera o conflito.

(Outro parêntese longo:  Por favor, não se zanguem comigo aqueles que (como eu!!) são totalmente contra a LGBT-fobia, não sei que nome dar a este tipo de tratamento. Certamente, penso que “terapia de reversão sexual” também não seja palatável, mas é menos agressivo do que “cura gay”.

Cabe a pergunta aqui: “Por que precisamos de um rótulo?”. Por que não “apoio às pessoas que querem deixar de sentir desejos, para elas, incompatíveis com seu gênero?” essas pessoas não têm esse direito? (em último caso, o que se faz entre as paredes do consultório é problema do paciente e do analista, não é? Claro, salvo se o segundo abusar do primeiro! Aí será, certamente,  problema da Justiça).

E se alguém hétero resolver pedir auxílio a um psicólogo para se tornar trans? Pois é, sinto-me mal por levantar um argumento – talvez – típico dos “conservadores de plantão”, caindo no dilema de meu último artigo. Mas penso que a questão precisa ser avaliada por vários ângulos.

Esse tópico é longo. Psicólogos são proibidos de oferecer esta ajuda (e, neste ponto, eu concordo: atender a um pedido em particular é uma coisa, “propagandear” é outra!). Há alguns anos, alguns mais conservadores conseguiram uma autorização, cassada há poucos dias.

Só para deixar bem claro: Entristece-me que muitas pessoas (sei lá, ainda que 100% das pessoas que) busquem(buscam) esse tipo de tratamento de “reversão”, (o façam) por motivo de pressão da sociedade ou de “ideologia de credo”, mas, não interessa a mim, não cabe a mim, fazer “pressão ao contrário”, nem na pessoa, nem no psicólogo que se disponha a ajuda-la. Ao contrário, essa pressão pode – quem sabe? – reforçar o discurso débil da “ditadura gay” –não vou entrar no mérito desse rótulo aqui! Fim do parêntese). 

Novamente, usar esta expressão (“cura gay”, não se perca em minha prolixidade) é, penso eu, má intenção de quem quer impedir os psicólogos e aqueles que se sentem incomodados com sua condição de agirem para interrompê-la ou daqueles que fazem questão de afirmar que esta condição é uma doença (aqui, o “tiro no pé”).

Eu poderia citar muitos outros exemplos menos polêmicos, exemplos cotidianos, em que uma discussão que é semântica (todos querem dizer coisas diferentes, mas querem utilizar a mesma palavra para defini-las ou, ao contrário, querem usar palavras diferentes para definir a mesma coisa) acaba por criar um impasse insolúvel, uma cizânia desnecessária, um obstáculo ao bom senso e à boa convivência.

Como bônus, trago uma reflexão adicional. Um vídeo do canal Jesus na veia do Youtube (não conheço o canal, só vi este vídeo) em que um Ganês, preto (quem vir o vídeo entenderá), que traz uma ideia muito boa e uma comparação entre os termos negro e preto. É só semântica?

Afinal, é bolacha ou biscoito??

Fique bem

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

A vaidade de Lula e a submissão do PT levarão o Brasil de volta à Idade das Trevas.

Quero começar fazendo um pedido. Se você é eleitor convicto de Jair Bolsonaro, por qualquer motivo além do "PT Não" então não leia esse texto. Não, eu não vou falar mal do seu candidato ou da enxurrada de Fake News dos seus apoiadores ou da excrecência que é a propagação da existência do  Kit Gay (tardiamente banido pelo TSE) e tampouco da legitimação de uma violência e barbárie que mostram as garras por todo o país. Sei que não vou mudar seu voto e nem é o que pretendo, se você quiser ler, talvez, possa abrir um pouquinho a cabeça e ver que nem tudo é "pão, pão, queijo, queijo". Se quiser saber o que penso de seu candidato, veja aqui.

Vou fazer uma análise-desabafo sobre o  PT, para amigos PTistas e para os que talvez vão votar nulo/branco ou no candidato número 17  porque "odeiam o PT acima de tudo" e estão iludidos com e hipnotizados pelo mantra "PT Não".

Aliás, se você bolsominion continua lendo até aqui, saiba que eu já considero a eleição praticamente vencida por seu candidato e por culpa exclusiva do PT, ou melhor, de um sujeito chamado Luis Ignácio Lula da Silva. Senão vejamos: 

Lula não é o PT e o PT não é Lula.


Lula é um gênio (gostem seus adversários, com quem ele não se preocupou durante os oito anos em que esteve no governo, ou não), um monstro da política que só tem um propósito na vida: Ter Poder. Desde quando foi operário, soube se colocar nos lugares certos nos momentos certos e, acima de tudo, dizer as coisas certas na hora certa (não necessariamente fazendo o certo). Lula pôs à mesa, como muito bem salientou o Sr. José Neumane Pinto, os guerrilheiros da luta armada, José Dirceu, Genoíno, Palocci, com a escória da política brasileira, José Sarney, Eduardo Cunha, Jáder Barbalho e seus quetais. (Sugiram que os Lulistas vejam entrevista do link, de coração aberto).


Anyway, eu vi o PT nascer em 1982 (no auge dos meus 15 anos), eu abracei a Lagoa Rodrigo de Freitas, eu marchei na Rio Branco e gritei "Tirem as mãos da Nicarágua" à porta da Embaixada Americana. Eu vi Lula  crescer dentro do PT e vi o PT se encolher diante de Lula. Eu o vi passar 20 anos, em que poderia ter feito ensino médio, graduação, mestrado e quem sabe doutorado, sem estudar e concorrendo à presidência da República, tomando para si o sonho de justiça e equidade de muitos PTistas que, logo no início de seu governo, foram para o PSOL...

Por que gente como Chico Alencar, deixou o PT? Porque o PT se submeteu a Lula e passou a viver das migalhas de sua imagem e a se contentar com as conquistas que o Fingerless usou para se promover.

Haddad também não é Lula, mas, diferentemente de Dilma, ele se curvou completamente a Lula, junto com o PT. Não me interessa se Lula foi preso politicamente, juridicamente, justa ou injustamente. Ele foi preso e tudo o que o Brasil não precisa é de um preso "governando" o país.

O país precisa de gente séria e preparada, gente "de bem", que existe e sofre nos quadros do PT.

Eu cheguei a pensar que, quando a pecha de criminoso começou a ser colada no PT, à época do golpeachment, Lula se afastaria e criaria um novo partido para ele, apontando o dedo (um que ele próprio não tenha decepado) para os ex-"cumpanhêru"..

Lula não fez nada de bom? Apenas "aproveitou um momento"?

Lula fez muita coisa boa, isso é inegável, uma delas (na minha opinião) foi tirar o PSDB do Planalto.  (Na verdade, na verdade, o que tirou o PSDB de lá foi a vaidade de FHC que, ao ver Aécio derrotado internamente, pegou Luisinho pela mão e o levou para receber a bênção do "tio" Sarney e os outros caciques do PMDB que eram os aprovadores de presidente).

Lula promoveu uma razoável e relevante distribuição de renda no país (ainda que temporária, porque o dinheiro "circulou" pelos pobres e "voou" para os banqueiros. (Mas isso é oooooutro post. Se eu fosse por tudo o que preciso falar num post só, eu teria que escrever um livro!).

Sim, Lula deu força e voz ao Brasil no cenário internacional, usou muito bem nossas reservas para impedir que sentíssemos os efeitos da crise mundial e, sim, transformou-a numa "marolinha".

A destruição do Brasil

Se você verdadeiramente acredita que o PT "destruiu" o país ou, como Ciro Gomes gosta de dizer, "desmontou", referindo-se a Dilma, então você precisa abrir sua mente e seu coração.


Quem destruiu o Brasil foi o PMDB (MDB ou qualquer outra Bosta que resolvam se autodenominar, porque esse "B" do nome do partido não é de Brasil, certamente). Um partido fisiológico que esteve em todos (e estará, você que é bolsominion e ainda está lendo, espere para ver) em todos os governos desde a redemocratização.

Um partido que capitaneou uma constituição que engessa o Executivo e transformou o país num Parlamentarismo velado, obrigando os governantes (Itamar, FHC, Lula, Dilma) a se submeterem aos caprichos do lixo chamado Centrão (a desvalorização do conceito de "Centro" no Brasil também vale outro post).

E Lula é o grande responsável pelo PT ter sua imagem maculada e associada ao que de mais podre há na política nacional. Lula não fez nada diferente do que fez FHC, apenas soube "cacarejar" melhor. (Lembre-se: na nossa sociedade "de casca", não basta botar o ovo, há que cacarejar!! Às vezes, cacarejar é só o que basta!).

Lula não teve oposição. Claro, porque "liberou geral" a roubalheira que é institucionalizada no país, que está entranhada na cultura de uma nação que não respeita sinal de trânsito, que faz gato de energia, que dá propina para servidor público a fim de vencer a burocracia (que está lá justamente para viabilizar a propina ao servidor público. - POR FAVOR: Não falo de todos os servidores públicos, mas falo de um número expressivo que consegue queimar a imagem de todos!).

Se você não enxerga isso, então você precisa de lentes. Não foi o PT quem destruiu o país, mas, concordo, o PT esteve ao lado de quem destruiu e, quando tentou sair do barco, foi arrancado do poder e paga o preço altíssimo de ter sua imagem destruída. 

Aécio avisou ao perder a eleição e o Tasso "Coronelzinho" Jereissati assumiu publicamente que o PSDB sabotou o  governo Dilma, o "Centrão" quando se viu sem os cargos e boquinhas prometidos também o fez (mas não veio a público reconhecer). Dilma não pode governar. Como ela poderia ter desmontado o país?


Não dá para não falar de Dilma


Como disse num dos subtítulos anteriores, o PT não é Lula.


Para mim,  se hoje o PT pode ser representado por alguém, este alguém é, para mim,  Dilma Roussef, mas, por favor, não pare de ler. Não deixe que a minha simpatia por Dilma (sobre quem falarei em outro post), o impeça de continuar na reflexão.

Dilma é o PT que não é Lula. Dilma se "fingiu" de poste e conseguiu, por falta de opção do Fingerless (estavam todas na cadeia), ser indicada para o Poder. O que aconteceu?

Dilma criou dificuldades para o fisiologismo (ok, foram 39 ministérios), tentou colocar alguma ordem no caos e tentou governar. Logo ao final do primeiro mandato, Lula já pensava em não deixá-la concorrer. Ela se reelegeu fazendo promessas não para o povo, mas para o fisiologistas.

Lembram-se dos deputados bradando no impeachment "Ela me prometeu isso, me prometeu aquilo e não cumpriu"?

Pois é, Dilma se aquartelou, apoiou a Lava à Jato e só teve apoio de Lula (ou quase apoio) próximo ao Golpe, porque o Molusco queria por "panos quentes" e manter o trono ocupado para seu eventual retorno em 2018.

Ah, ela tem um notório problema para falar em público? Sim, tem, mas isso não diminui sua capacidade tampouco seu  intelecto.


A Campanha de 2018

Haddad errou feio na campanha de 2018. Escolheu mal a sua vice (com todo o carinho e respeito pela pessoa e pelas competências de Manuela, mas ela não tem ainda (note-se!) estatura para ser presidente do país, numa ausência do titular. Ainda precisa comer um pouco mais de "arroz com feijão" da política, mas isso é minha opinião (como tudo neste texto, nunca é demais relembrar, incluindo um grande percentual da entrevista de José Neumane, que passou a ser minha opinião).


Eu brinquei noutro dia com um irmão, dizendo imagine a conversa entre Lula e Haddad:

Haddad: Lula, eu não acho correto associar minha imagem à sua, por mais que seja injustiça sua prisão.

Lula: Tá bom, vai lá e tenta aparecer para todo o Brasil, sem dizer que me representa!

Pois é.

Haddad se deixou transformar no "diet Lula" de John Oliver e passou a imagem de que seria um simples porta-voz do Fingerless. Ninguém no Brasil gosta de porta-vozes, porque eles normalmente só servem para más notícias. (Até funcionou no NE, onde o prestígio de Lula é muito grande e, sim, o povo é mais humilde e mais crente, sem nenhum demérito. Mas eu duvido que pessoas mais esclarecidas tenham votado em Haddad no primeiro turno, por causa da plaquinha girando "Lula/Haddad/Haddad/Lula", acho que essa plaquinha aborreceu até os menos esclarecidos!).

Agora, quando tenta tomar as rédeas da campanha, Haddad passa a impressão de que foi "ordem de Lula". Tudo o que Haddad fizer, de hoje até o final de sua vida, pode e receberá a pecha de "seu mestre mandou". E até ao usar as cores do Brasil (que são nossas!! Bolsomínions ou Lulistas) é acusado de "apelar". 

Haddad tentou tardiamente até "falar grosso" e, como não é do seu quilate, exagerou e bateu forte em Edir Macedo (figura espúria, mas adorada por milhões que se sentem ofendidos quando nós o ofendemos... Aliás, parêntese dentro do parêntese: Xingar Edir Macedo é o mesmo que chutar a Santa... ele não é poderoso? Que se defenda!). Macedo que foi sim, apoiador de Lula, como foi de FHC e será de todos os que estiverem no poder, enquanto ele próprio (Macedo) não puder estar lá.

A família Gomes

Eu votei em Ciro no primeiro turno, muito aborrecido por ter que votar no PDT de Lupi e quetais (ok, também o PDT de Darcy Ribeiro, só que também o PDT da decepção Cristóvam Buarque). Votei porque não concordei com a "estratégia" (se é que se pode chamar assim) de tentar levar o nome e a foto de Lula para a Urna, quando o voto seria para Haddad), porque fui (e sou) contra a péssima imagem de um presidiário dando ordens para um presidente. (Ok, acho forçação de barra comparar Lula a Fernandinho Beira-mar, mas é uma comparação que a gente acaba tendo que engolir!).

Eu sempre pontuei que tinha 2,5 restrições contra Ciro Gomes.

0,5) Sua vice. Kátia Abreu. Sei que ela apoiou Dilma, foi ministra, mas todas as pessoas em cuja opinião hoje eu confio falam mal dela. Realmente não tenho uma posição definida quanto a esta senhora (que já não mais será vice-presidente), por isso a "meia" restrição;

1) O PDT. Como falei acima e 

2) o irmão dele. O palhaço até não estava totalmente longe de ter razão em sua mágoa, mas não precisava "ser Cid Gomes" neste momento, mesmo tentando consertar depois.

Conclusão

Para ser otimista,  preciso torcer para que estejam com a razão, os pastores charlatães (Macedo, Feliciano, Valdomiro, RR Cifrão), a Ku Klux Klan, Steve Bannon, Alexandre "Anal Técnico" Frota, o Temer, o skinheads, os doutores de Facebook e Whatsapp que ensinaram nazismo para os alemães, interpretação de letra de música para o próprio autor, o MBL, que pensa que a Ku Klux Klan é de esquerda!!!,  a Rachel Sherazade (espera! Até a Rachel Sherazade ficou contra o Bolsonaro), o Reinaldo Azevedo (ih! esse também está contra!!), Míriam Leitão (cacete!! quanta gente foi comprada pelo PT!!!)...

Desejando que  estejamos errados. Eu, o The Economist, os analistas e políticos portugueses da direita e da esquerda, a CNBB, o Papa,  a ONU, o John Oliver, os diversos artistas, os LGBT (que não votarão nele!), a família Gomes, os tucanos que não são da ala paulista, os eleitores do Novo (que eu conheço), o Haddad, até a Marie Le Pen (pois é, que criticou o capitão).

Enfim, a Vaidade tirou os tucanos do poder em 2002 e colocou "Lula lá". Agora, em 2017 a Vaidade (de Lula), aliada à submissão do partido, colocará "Ele lá", lamentavelmente.

Obrigado por ler até aqui.

Fique bem!


quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Ok... Vamos falar do Brasil pós 2018...

Sei que não vou mudar o voto de ninguém (e nem pretendo, mas se eu conseguir deixar algumas pessoas com a consciência pesada, já terei cumprido mais do que a minha missão com este desabafo).

Eu não tenho medo de Jair Bolsonaro...

Ele vai se eleger, se aboletar na cadeira de presidente, garantir a aposentadoria dos netos e de toda a família, arrochar a classe média, abrir as pernas para o DEM, MDBosta, PP e afins, viajar o mundo inteiro e ser apenas um bobalhão despreparado no poder. (Um segredo... vai pedir auxílio ao PT e à esquerda, se precisar, em nome "do bem da nação").

Com uma diferença para FHC, não tem metade da cultura e não acredito que venderá o país, mais do que já estão vendendo ou acabará com os direitos trabalhistas mais do que já estão acabando.
Com uma diferença para Lula, não tem 1 centésimo do QI e da capacidade política, mas não acabará com Bolsa Família (porque os bancos precisam do programa mais do que os pobres).
Com uma diferença para Dilma, render-se-á ao Centrão e ao fisiologismo e também não tem o pulso firme que ela teve e que a derrubou do poder, porque não tinha apoio nem dos "cumpanheiru"...

Acho (minha opinião, que pode ser ofensiva a ele, não a você que vai votar nele... se ele se sentir ofendido que venha reclamar ele não precisa de ninguém para fazer isso por ele!!!) que ele é um boquirroto que fala o que seus eleitores querem ouvir (Todos fazem isso, à esquerda, à direita, acima e abaixo)...

Lava à jato? Desde que não chegue ao PSL...

Tenho medo dos seguidores de Bolsonaro, dos skinheads babacas (como o candidato a Deputado Federal!!!! bombadão e careca que se rejubila destruindo patrimônio público), dos menininhos riquinhos mimados que acham que estão (e estão!!) acima da lei, como os "Thor Batista" da vida, do nosso talibã pentecostal tupiniquim (de novo, não estou falando de todos os pentescostais!!! Mas se você é evangélico e não vê o que é feito contra casas de religião de matiz africana ou precisa de óculos ou... deixa para lá), do ódio reprimido que está aflorando, do sentimento de "ser melhor do que os outros" que poderá levar a uma onda desenfreada de violência... INDEPENDENTEMENTE do resultado do pleito!!!...

Tenho medo de estar entre os 30 mil (incluindo FHC) que o ilustre deputado diz que tem que ser mortos ou que eu ou minha família estejamos entre os inocentes que "Ah se morrer inocente... qual guerra não morre inocente?"...

Ele(não!!) não é inteligente, mas há algum titereiro misterioso (como Valdemar da Costa Neto por trás de Tiririca) e, este sim, também me preocupa...
(Editado em 06/04/2022 - apenas retirado o último parágrafo em que eu fazia uma injusta citação ao MST e Guilherme Boulos).

terça-feira, 3 de março de 2015

Diferentes com respeito

O pior cego é o que não quer ver,
Talvez,  um problema da idade
O sujeito não tem o que dizer
Logo, busca a agressividade

Olhamos o mundo ao nosso prazer
Afinal, somos a humanidade
Respeito,  porém, é preciso ter
Gente é igual a diversidade.

Um momento acalorado pode
Mesmo que sejamos eruditos
Ensejar uma resposta dura

Nem mesmo a amizade mais pura
Tem imunidade a conflitos
A melhor opção, dizer: não ferra!

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

A "culpa" é do FHC...

Sobre FHC e o PT.

Permitam-me começar repetindo algo que os fanáticos e radicais não entendem: Eu não "torço" nem pelo PT nem pelo PSDB.

Sim, votei na Dilma e, se o tempo voltasse e a eleições ocorressem novamente,  desta vez, eu sabendo que ela sucumbiria à cartilha neoliberal,  o que mudaria em minha ação é que eu não sairia de casa para votar. Teria justificado meu voto como nas eleições anteriores. 

Isto posto,  gostaria de dizer algumas coisas aos "torcedores", partidários, ideologicamente afetos ao PSDB e todos os demais que ficaram "zangadinhos" porque Dilma jogou no colo de Fernandinho (o intocável) uma grossa parte na responsabilidade pelo que ocorre (sempre ocorreu e duvido que deixe de ocorrer algum dia) na Petrobràs:

1) A culpa pela corrupção na estatal do petróleo pesa sobre todos (sem exceção) os que governaram o país desde que existe a PETROBRÁS (tá, pode ser que o Getúlio escape dessa lista)... todos poderiam ter resolvido o problema, mas nenhum resolveu. Ao contrário, ou foram coniventes ou ativamente participativos nessa verdadeira "farra do boi" que é a gestão financeira da Petrobrás... Nem vou entrar no mérito das outras empresas estatais e ministérios...

2) FHC "roubou" o plano real de Itamar (e, de fato não "é" de nenhum dos dois, mas Itamar foi quem teve o peito de implementá-lo!), diz que o Bolsa Família é criação sua... Oras, Tudo o que de bom ocorreu no governo do PT, segundo Fernandinho, é herança de seu governo... Já, ainda segundo nosso amado ex-presidente, tudo o que aconteceu de ruim, "nunca antes na história do país" havia acontecido! A culpa disso é um pouco do PT, ainda que os governantes em geral usem a política do é bom é meu, é ruim é do outro, Lula e seu bordão "nunca antes na história desse país" trouxeram isso para si, se querem todos os louros que fiquem também com todo o lodo... Dilma está muito mal assessorada, seja por burros ou por cafajestes, não era hora para uma declaração dessas...

3) partindo do pressuposto de que a culpa seja exclusivamente do governo atual,  gostaria de lembrar aos tucanos que foi FHC quem levou o PT ao governo. Sim! Foi sua vaidade ao ver Aecinho derrotado na corrida à candidatura de 2002, que o fez não subir no palanque de Serra, salvo à beira da eleição, que fez Serra gagejar em todas os debates quando perguntado sobre continuismo... 

Parêntese: (Tudo bem que as táticas de Serra (v. A privataria tucana) também ajudaram a derrubá-lo. Ele usou de seus truques sujos contra Roseana Sarney, é época com excelentes intenções de voto para presidente e representante do grupo que manda de verdade no país e, também por isso, caiu! E arrisco dizer que nunca será eleito para nada fora de São Paulo).

4) Como disse, com todas as letras,  em uma entrevista,  o finado (mas não refinado) Caixa D'água (Eduardo Viana,  nefasto ex-presidente da federação de futebol do Rio de Janeiro): "quem tem poder e o perde é burro ou fraco"... Lula não é nenhuma das duas coisas,  tio Fernando foi uma das duas ou ambas, em função de sua vaidade... Portanto,  se há culpa e ela é de Dilma, ela é de FHC... Não adianta chorar... 

5) Por fim, FHC entregou o ouro e o PT não vai largá-lo. Como Caixa D'Água que só deixou a presidência da FERJ ao morrer, o PT está há 12,5 anos no poder e ainda não perdeu completamente o apoio do PMDB. Collor caiu, porque foi por demais ganancioso, subiu rápido, desceu rápido... Lula esperou pacientemente por 20 anos pela oportunidade e já tem informações suficientes para derrubar muita gente junto com ele...

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Porandubas do Torquato...

Reproduzo a deliciosa coluna de Gaudêncio Torquato, publicada no site Migalhas. Gosto muito da análise que ele faz do cenário político nacional... Vale a pena visitar o site também.
Atenção para o trecho que destaco em azul...


Blessed be...

Porandubas Políticas
por Gaudêncio Torquato

Porandubas nº 432 (quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015)
Água, água
Nesses tempos de falta d'água, uma deliciosa historinha sobre o "precioso líquido", que vem dos confins da gloriosa PB :
Brejo das Freiras é uma Estância Termal nas lonjuras da PB, lá perto de Uiraúna e Souza. Trata-se de um lugar para relaxamento e repouso. O governo da PB tinha (não sei se ainda tem) um hotel, com uma infraestrutura para banhos nas águas quentes. Década de 70. Apolônio, o garçom, velho conhecido dos fregueses da região, recebe, um dia, um hóspede de outras plagas. Pessoa desconhecida. Lá pelas tantas, quase terminando a refeição, o senhor levanta a mão, chama Apolônio e pede :
– Meu caro, quero H2O.
Susto e surpresa. Anos e anos de serviços ali no restaurante e ninguém, até aquele momento, havia pedido aquilo. Que diabo seria H2O ? Apolônio, solícito :
– Pois não, um instante !
Aflito, correu na direção da única pessoa que, no hotel, poderia adivinhar o pedido do hóspede. Tratava-se de Luiz Edilson Estrela, apelidado de Boréu (por causa dos olhos grandes de caboré), boêmio e galanteador, acostumado aos salamaleques da vida.
– Boréu, tem um senhor ali pedindo H2O. O que é isso ?
Desconfiado, pego sem jeito, Boréu coça o queixo, olha pro alto, tenta se lembrar de algo parecido com a fonética e, desanimado, avisa :
– Apolônio, sei não. Consulte o Freitas.
Freitas era o diretor do grupo escolar, o intelectual da região. Localizado, o professor tirou a dúvida no ato :
– H2O é água, seus imbecis. Quer dizer água. Água. Ignorantes.
Apressado, Apolônio socorreu o freguês com uma jarra do líquido. Depois, no corredor, glosando o feito, gritou em direção a Boréu :
– Ah, ah, ah, esse sujeito lascou-se. Achava que nós não sabia ingrês.
As crises e a índole
As crises se integram para formar as nuvens de uma tempestade perfeita : crise econômica, com recessão e retração do PIB em 1% este ano ; aumento de impostos ; juros altos ; poder de compra reduzido, etc. Crise política, com rebuliço no Congresso, a partir da relação de nomes envolvidos no petrolão ; nova legislatura, com presidente da Câmara eleito contra a vontade do Palácio do Planalto. Crise hídrica, com a falta de chuva secando o poço da imagem dos governantes e mexendo com o ânimo dos consumidores. Crise energética, com grandes riscos de apagões no segundo semestre deste ano. Crise social, com as ruas infladas de movimentos indignados. Crise de confiança. Crise de credibilidade. Que isso tem a ver com a índole dos governantes ? A índole contribui para apertar os cinturões das crises ? Resposta : sim !
A índole de Dilma
Dilma, a mandatária-mor, tem ojeriza à política nos moldes como nossa cultura ordena : balcão de recompensas, troca-troca, benefícios, votos sob influência do orçamento, cargos nas estruturas do governo, etc. O corpo político sabe disso. E aproveita para jogar mais lenha na fogueira. Se a presidente não tem disposição para cozer o feijão com o arroz da política, que arrume bons cozinheiros para sua cozinha. Ora, ela escolheu três gourmets gulosos : Aloizio Mercadante, Pepe Vargas e Miguel Rossetto. Que não são craques na articulação política. Falta-lhes o jogo de cintura. Por isso mesmo, a imagem do governo vai mal. E a presidente, com sua índole, contribui para expandir os atritos e conflitos.
A imagem dos governos
A imagem dos governos é a projeção de sua identidade. E a identidade é a soma dos conteúdos – ações, programas, promessas, rotinas, processos, sistemas, projetos, etc. Se os conteúdos não estão se desenvolvendo a contento, não há milagreiro que possa melhorar a imagem dos governos. Não há comunicação capaz de provar que o Brasil está vivendo momentos de fartura : água, energia, bons transportes, alimentos baratos, felicidade geral. O engodo não resiste à realidade. Não se tapa o sol com peneira. Os buracos não deixam. A imagem é, portanto, resultado do que se faz, do que se opera, do que se percebe. E a cognição social sobre o governo Federal não é boa.
Limpando a imagem
O que se pode fazer é uma limpeza periódica no painel da imagem. Nesse caso, os comunicadores dos governos devem trabalhar com as cinco pernas do marketing institucional : a pesquisa, o discurso, a comunicação, a articulação e a mobilização. Pela pesquisa, identificam-se os pontos positivos e negativos da imagem. O discurso precisa ser composto a partir dos inputs da pesquisa. Nesse ponto, cabe lembrar que o discurso comporta programas e projetos mais adequados para responder às demandas sociais. A comunicação abre as pontes do governo com a sociedade, levando suas ideias e intenções. A articulação complementa o esforço de ajustamento com os exércitos da política e dos movimentos sociais. E, por último, a mobilização é o motor que gira a agenda dos governantes : visitas às regiões, contatos com as massas, encontros com grupos organizados, etc.
Quem pensa assim ?

Perguntinha do momento : há alguém no governo que pense dessa forma ? Há alguém que entenda de comunicação e marketing como ferramentas estratégicas ? Quem faz a ligação entre os elos – pesquisa, discurso, comunicação, articulação e mobilização ? Thomas Traumann, o ótimo jornalista da grande mídia ? Mercadante, um ex-senador com fama de auto-suficiente ? Rossetto, um quadro da militância preocupado em abrir diálogo com os movimentos sociais ? Ou João Santana, o perito na arte publicitária, produtor de firulas nas campanhas de propaganda ? Comunicação governamental é algo mais complexo que campanha publicitária ou briefings jornalísticos para orientação da presidente.

O périplo de Lula
Lula está montando sua estratégia para tentar resgatar o vetor de peso da presidente Dilma. Como se viu pela pesquisa Datafolha, ela perdeu 40 pontos na boa avaliação. Lula vai viajar Brasil afora, mas em vez de rápidas passagens, deverá permanecer nas regiões alguns dias e mesmo semanas. Tentativa de correr o interior dos Estados, falando com prefeitos, vereadores e lideranças políticas e institucionais, a par de movimentos sociais. É claro que nessa nova caravana do lulismo, ele estará jogando seu nome nas ruas. Se essa for realmente a ideia, há um lado perverso na estratégia : antecipa o final do governo Dilma. O Volta, Lula assumirá maior visibilidade que o governo Dilma.
A estética
À guisa de provocação : Você imaginaria Jesus Cristo sem barba ? E Abraham Lincoln, seria o mesmo sem a barba ? Que tal um Ghandi cabeludo ? Elvis Presley sem o topete teria o mesmo charme ? O código estético é o primeiro a se infiltrar na mente.
Geraldo cai
Geraldo Alckmin também caiu na lorota de afirmar, por vezes seguidas, que não haveria falta d'água em SP. Teve queda de 10 pontos na imagem positiva. Pois bem, o racionamento já começou, apesar da tentativa do governo de disfarçar a decisão. No melhor cenário, se chover muito, a água vai faltar lá para os meados do segundo semestre. O que exigirá forte racionamento, algo como cinco dias de racionamento por dois dias de água na torneira.
PMDB e PT
Não interessa ao PMDB discutir coisas como impeachment, etc., como muitos pensam. O que há é muita especulação em torno do tema. Interessa mais que o PT deixe a arrogância de lado e seja mais parceiro dos partidos de base.
Levy segura a peteca ?
Gente de estofo na economia garante que o esforço de Joaquim Levy dará com os burros n'água. A retração puxará o PIB para a banda negativa. Sem crescimento, o país ficará patinando. Sem sair do lugar. Desemprego, nesse cenário, expandiria o Produto Nacional Bruto da Infelicidade.
Três historinhas

1. Condenado à morte por corromper a juventude, Sócrates, o filósofo, recusou a oferta para fugir de Atenas sob o argumento de que seu compromisso com a polis não lhe permitia transgredir as regras. Os gregos cultivavam o respeito à lei.
2. Lúcio Júnio Bruto, fundador da República Romana, libertou seu povo da tirania de Tarquínio, derrubando a monarquia. Mais tarde, executou os próprios filhos por conspirarem contra o novo regime. Pregava o poeta Horácio : "Doce e digno é morrer pela Pátria".
3. Outro romano, rico e matreiro, conta Maquiavel no Livro III sobre os discursos de Tito Lívio, deu comida aos pobres por ocasião de uma epidemia de fome e, por esse ato, foi executado por seus concidadãos. O argumento : pretendia tornar-se um tirano. Os romanos prezavam mais a liberdade do que o bem-estar social.

O melhor enredo ?
Os relatos sugerem a seguinte pergunta : qual dos três personagens se sairia melhor caso o enredo ocorresse dentro do cenário da política contemporânea ? O terceiro, sem dúvida. Não seria executado por alimentar a plebe, mas glorificado, mesmo que por trás da distribuição de alimentos escondesse a intenção de alongar um projeto de poder. Essa é a hipótese mais provável em países, como o Brasil, de forte tradição patrimonialista e com imensas parcelas marginalizadas e carentes.
FHC no Lava Jato ?
O ministro José Eduardo Cardozo, da Justiça, afirma que a era FHC também entra na Operação Lava Jato. É o caso de conferir. Cada ciclo deve ter suas contas abertas.
Em Cuba
A propósito, Fernando Henrique e sua mulher passarão o carnaval em Varadero, em Cuba, a charmosa praia cheia de hotéis cinco estrelas, que os cubanos não podem frequentar. Terá encontro com Fidel ? Não pensem nisso. A imagem seria um estraga-prazer no carnaval dos tucanos.
Justiça do Trabalho
A Justiça do Trabalho é o fulcro dos gargalos no Judiciário. Acusada de expandir a burocracia e de legislar. Esforça-se para segurar velhos processos e métodos com o objetivo de evitar perda de poder. Quanto mais poder de punição, mais forte fica. Daí ter se posicionado contra novas regras para a flexibilização das relações capital/trabalho.
600 emendas
A MP com mudanças na legislação trabalhista deverá receber uma enxurrada de 600 emendas no Congresso. Vai ser difícil alcançar consenso.
PEC da Bengala
A PEC da bengala começa a andar. Já não se trata de hipótese impossível a aposentadoria dos juízes aos 75 anos.
Ativos e passivos

John Stuart Mill, um dos pensadores liberais mais influentes do século 19, classificava os cidadãos em ativos e passivos, aduzindo que os governantes preferem os segundos, mas a democracia necessita dos primeiros. A comparação do filósofo inglês, pinçada por Norberto Bobbio em seu livro "O Futuro da Democracia", expressa, ainda, a ideia de que os súditos são transformados num bando de ovelhas a pastar capim uma ao lado da outra. Ao que Bobbio acrescenta : "Ovelhas que não reclamam nem mesmo quando o capim é escasso". Pois bem, por estas bandas, apesar do capim farto, equinos, caprinos e bovinos rompem o cabresto e saem dos currais. E mais, não querem ser comparados a animais irracionais e dóceis. A notícia boa é que a imagem acima desvenda um Brasil cidadão que decidiu expurgar o passado do voto amarrado à distribuição de benesses e à opressão dos senhores feudais da política.

À guisa de conclusão
"Misia Sert dominava a arte de caçar moscas. Estudava pacientemente os modos destes animais até descobrir o ponto exato em que havia de introduzir a agulha para pregá-las sem que morressem. Exímia na arte de fazer colares de moscas vivas, entrava em frenesi com a celestial sensação do roçar das patinhas desesperadas em seu colo."
Conto de Elias Canetti. Um flagrante das esquisitices humanas.
E assim caminha a humanidade...

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Sobre Israel e o Hamas

Amigos, amigas, manos e manas,

Muito se tem falado sobre as ações do governo israelense em Gaza. A guerra extrapola o campo físico e avança feroz pelo campo da informação e, nesse mundo livre da internet, é fácil produzir estatísticas, argumentos, analogias, desculpas etc.
É impressionante o que se pode estudar sobre a "arte de dialogar" e as estratégias que são aplicadas na defesa de um ou de outro ponto de vista.
Antes de expor minha visão, preciso fazer um longo preâmbulo, que eu sei não vai adiantar de nada, cada um vai ler o que quiser mesmo e extrair do texto os pedaços que lhe convier para defender seu ponto de vista e mostrar que ou eu o estou corroborando ou estou me opondo a ele.
Senão vejamos: eu tenho um profundo respeito pelo "povo judeu". O judaismo contribuiu em muito para o que hoje temos como sociedade ocidental. Eram eles os ourives que deram origem aos bancos, foram eles que escreveram (senão ao menos difundiram) as bases dos princípios morais e religiosos em que muitos de nós, independentemente de crença, fundamentamos nosso comportamento e, sim, eles são um povo que vagou por várias nações sofrendo preconceito sendo "escorraçados" até que Hitler teve a hedionda ideia de extermina-los.
Tenho amigos judeus, com quem sempre aprendo alguma coisa (até "piadas de judeu", como no segundo grau onde convivi com as "meninas do normal", em sua maioria judias).
Por fim, como teórico da conspiração, acredito que o "eles" que controlam a sociedade ocidental sejam, senão no todo, em sua maioria, judeus, todos sentadinhos tranquilamente naquela avenida de Nova York. Com efeito, li um estudo (a melhor reprodução que achei foi aqui) em que uma das versões dizia que 6% (quem for ao link, relacione com os "6" Norte americanos) da população mundial detinha 60% de toda a riqueza do mundo e que seriam todos norte americanos e judeus (não consegui achar essa versão).
Anyway, outra coisa que preciso deixar muito clara é que sou verdadeiramente contra o terrorismo (seja ele físico ou ideológico), mas, em muitas situações eu o entendo, o que não quer dizer que eu concorde com ele! 
Também é importante estabelecer que li várias versões (várias, religiosas, históricas, geográficas) sobre quem tem e quem não tem direitos sobre o território de Israel e confesso que não cheguei a uma conclusão satisfatória. O que não significa que vou "subir no muro" nessa questão. Basta que se veja  o mapa (no meio da página) que mostra a evolução da população na região, para ver que, tendo direito ou não, os judeus simplesmente "já tomaram" o território.
O que me incomoda, nesta história é ser "chamado de idiota". As estratégias de comunicação que Israel vem utilizando e, à reboque, alguns desses meus amigos judeus e outros que não o são, mas que ou simpatizam com a causa ou tem medo "deles" ou simplesmente se convenceram dos argumentos ou, finalmente, acham que o Hamas é o culpado pelos bombardeios, porque o Hamas é o "bicho papão", feio, mau e pronto(!), são (as estratégias, não se perca em minha prolixidade) de ofender a inteligência de qualquer interlocutor.
Desde o "comentário anão" do porta voz isralense até os posts que tenho visto no Facebook, ainda não vi um argumento sólido que justifique o massacre que está sendo cometido em Gaza. (Sim, já começo a indicar minha "posição no conflito", se é para ser booleano, então já vou logo dizendo: estou contra o governo de Israel e o Tio Sam, sei que não adianta, mas isto não quer dizer contra "os judeus" e "os americanos", mas quem quiser interpretar o contrário, eu só lamento e espero que não venha um dia a ser meu chefe ou cliente!).
Senão vejamos alguns posts que estão sendo usados para, digamos, "arregimentar simpatizantes" para Israel:
- foi descoberto um plano do Hamas para conquistar Israel através de túneis pelos quais os terroristas, aproveitando um feriado, sequestrariam pessoas e tomariam Israel. (Nem vou comentar...)
- 87% da população de Gaza é contra o Hamas e quer um governo israelense (!!). Ok, supondo que esse número seja fidedigno, surge uma pergunta:  Por que essa população que está sendo massacrada, já que vai morrer mesmo, não se vira contra o Hamas e os ataca? Convenhamos, num território daquele tamanho, todo mundo deve se conhecer pelo nome e sobrenome, né? (ok, isto foi uma figura de linguagem, não tentem jogar fora tudo o que escrevi, por causa de um exagero!);  essas pessoas que estão "enjauladas", sem água e sofrendo um verdadeiro apartheid...
- Por que não olham para os massacres na Líbia? Para os assassinatos no Rio de Janeiro? Ou qualquer outra mortandade por aí? - O que se quer com um argumento como esses? O que isso quer dizer? Deixem-nos matar os palestinos "em paz" (pun intended) e vão cuidar das suas vidas ou das de outros assassinos? Essa estratégia de "olhe para lá, tem coisa pior" me deixa muito aborrecido, é fazer pouco da minha pouca inteligência.
- O mundo está expressando seu ódio pelos judeus. Bom, eu não posso falar pelo mundo, posso falar por mim (e já falei aqui!). Eu, e muitos dos que conheço, estou expressando meu tremendo desacordo (ódio não porque não é um sentimento que eu costumo alimentar) com as ações do governo de Israel. Netanyahu hoje (e todos os que o apóiam, na minha visão) já pode ter seu retrato pendurado na mesma parede onde estão os de Hitler, Mladic e dos líderes dos outros maiores massacres da história. (E Mr. Peace Nobel Obama, está reservando seu espaço nesta parede!). De qualquer forma, o drama do coitadinho  não serve.  O post de Eduardo Galeano derruba este argumento.
- Se você é contra o ataque a Gaza, você é a favor do Hamas... quando escuto isso, penso em falar um palavrão... aí, conto até dez para não perder a razão. Mas a resposta é algo do tipo: "Querido, qual parte do sou contra o terrorismo você não entendeu?"... Este é, de longe, o argumento mais estúpido ou de má fé que se pode usar.
Resumindo: 
Sou contra os ataques a Gaza, Israel tem inteligência e tecnologia para acabar com o Hamas, sem acabar com a população Palestina da região e não o faz, porque não quer
Eu vejo dessa forma: Israel quer o território todo (não me importa se tem direito a ele ou não) e vai empregar, incansavelmente,  todos os esforços para conseguir isso, seja expulsando ou exterminando os árabes que lá estão, simples assim. 
Blessed be! Fiquemos em paz.